sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

O Vento e a Árvore

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      Era uma vez, uma grande árvore solitária. Era início de outono e suas folhas estavam começando a secar e a caírem uma por uma ao chão. O tempo passava na velocidade da eternidade para aquela árvore, que mal percebia o mesmo passar, pois tudo era estático, como uma foto. Só quando uma folha caía naturalmente que ela percebia que o tempo não havia parado. Estava se sentindo tão sozinha, que o silêncio era sua única companhia. 
      Em um dia calmo e monótono, de repente a árvore sentia um empurrão de leve, como se algo estivesse passando através dela. A árvore percebeu que suas folhas logo se mexiam e se desgrudavam dela mais rápido. Ficou assustada, o que poderia ser aquilo afinal? O vento. 
      O vento havia chegado e se apresentado de uma maneira um pouco agitada, mas não queria assustar ninguém. Ele ficou mais suave, e agora se tornara uma leve e fresca brisa. A árvore se sentiu mais calma e aceitou a vinda do recém chegado. O vento disse que se sentia solitário porque ninguém o notava apesar de mover as coisas, era silencioso e sem forma, e também invisível, apenas se movia aleatoriamente. A árvore disse que se sentia solitária porque era estática e sem graça, e ninguém dava importância. Tanto a árvore como o vento, agora estavam fazendo companhia um ao outro. Logo ambos decidiram unir suas qualidades e se tornaram grandes amigos. 
      O vento ajudava a árvore a espalhar suas flores e seu aroma pelo lugar, fazendo suas flores e folhas flutuarem no ar, a deixando bela e dançante. Esta ajudava o vento a não ser mais 'invisível', suas folhas faziam com que o vento pudesse 'cantar', se tornando mais radiante.
      Um espetáculo simples entre dançarinos e cantores... um dependendo do outro para serem o que realmente são.



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sábado, 17 de dezembro de 2011

Acima do Céu...

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... Existe um mundo de liberdade.

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sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Um Idiota

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O que eu estou fazendo aqui?
      Era uma pergunta que intrigava aquele homem. Havia acordado normalmente, tomado seu café, feito sua caminhada diária, havia ido trabalhar, e agora estava ele, dentro do carro estacionado em um estacionamento de um parque. Se perguntando do motivo de estar ali. Porém sua pergunta não era a respeito do porque estar naquele estacionamento, e sim, do porque estar vivendo aquela vida.
      Só havia percebido de que não se lembrava de nada, no final daquele dia. Era como se inconscientemente soubesse o que fazer, como se a rotina tivesse tomado conta de sua inconsciência. O problema é que não sabia se aquela rotina era realmente sua, para que pudesse fazer tudo, mesmo sem lembrar de nada, ou se era a rotina de outra pessoa, e que por algum motivo estava vivenciando aquilo. Uma grande confusão começou a surgir em sua cabeça. Começou a achar que poderia ser um louco, tendo idéias malucas sobre sua identidade. Decidiu sair do carro para caminhar no parque para espairecer as idéias e tentar se lembrar de alguma coisa.
      No parque o homem percebia o quão belo era o fim de tarde naquele lugar. As árvores com folhas verdes e algumas em tom amarelado, combinavam com o começo do outono. O ar estava fresco, levemente gelado e o sol que ainda iluminava o céu, refletia um tom alaranjado. O homem via tudo aquilo e era como se nunca tivesse visto tal coisa. 


      O mesmo logo encontrava uma árvore no meio de um campo aberto, e sentava-se no gramado, debaixo daquela árvore, encostando suas costas na mesma, dando um suspiro se sentindo um pouco cansado. Fechava os olhos e escutava o barulho relaxante das folhas se moverem com a brisa, sentia o cheiro fresco do outono, a brisa passava suavemente em seu rosto. Tudo aquilo parecia ser novo. Quando abria os olhos, todas as lembranças voltavam.
      O homem logo havia percebido que não havia se esquecido de nada, absolutamente nada, na verdade. Era ele mesmo que havia sido esquecido pelas suas lembranças, afinal, elas não importavam mais para ele. Estava tão acomodado com sua rotina, que suas lembranças não fariam diferença se fossem embora. Ficava espantado ao perceber isso. Como havia deixado se acomodar tanto, para que não percebesse mais quem realmente era e o que estava fazendo? Se perguntava. O homem então se levantava, limpava as folhas que estavam em sua roupa e olhava para frente, para o pôr do sol, e sorria.
"Estou apenas deixando de ser um idiota." Respondia.


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A Incompreensível Incógnita

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      Naquele lugar, acreditava-se que existia algo que fluía pela natureza, algo que podia sentir a energia dos seres a sua volta, algo que estava constituído em tudo e que era capaz de influir no espaço, tempo e eventos, mesmo que fosse invisível, intocável, imaterial, incompreensível. Em outros lugares chamavam esse algo de Deus, outros de Allah, outros de Guaraci... todos tinham um nome para tentar individualizar esse algo, que era difícil de definir ao certo se possuía alguma individualidade ou se era tudo e todos, ou simplesmente era nada. 
      Naquele lugar, ninguém louvava essa existência, ninguém rezava e pedia coisas, ninguém pagava promessas, ninguém precisava fazer alguma coisa para acreditar. Apenas acreditavam.
      Eram as árvores, eram os rios, eram as nuvens, eram os animais, eram as pessoas, eram as construções... tudo. Além do que era material, esse algo estava presente nas 'almas', nos pensamentos, na existência do que não existia, nos eventos e também no tempo. Algo muito além da capacidade de compreensão de um humano, ou talvez algo tão simples, que humanos, com sua complexidade, não fossem capazes de entender. Esse algo era simplesmente uma incógnita.
      Os eventos estavam interligados, delimitados pelo espaço e tempo, seus componentes agiam de forma em que, no final, houvesse uma razão ou um resultado que tudo fizesse sentido para aquele determinado evento. O algo estava onipresente, a 'incógnita', na visão daqueles que não podiam compreender, seguia o fluxo, ou melhor, guiava o fluxo das coisas.
      Todos daquele lugar apenas viviam suas vidas, interagindo com a natureza em volta, com os outros seres presentes, com o espaço e tempo. E a 'incógnita' apenas continuava a fluir.
      

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quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Volte, e me encontre de novo.

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      Eu sentia um vazio no coração. Parecia que estava faltando algo em minha vida. E quando eu já desistia de ir em busca do que me faltava... o vazio era finalmente preenchido.
      Ela era a formosidade mais encantadora que poderia existir. Senti que ela era o que me faltava. Quando chegou em casa, era tão pequena, tímida, parecia ser frágil e despertava um grande desejo nas pessoas de quererem cuidar dela. Não tinha mais que um mês de vida. Invocada, ficava quieta, apenas observando o novo lar e sua nova família. Seus olhos castanhos e redondos eram graciosos e ao mesmo tempo marcantes, sua pelagem era em um leve tom champanhe e seus fios eram ondulados e macios. A princípio, antes mesmo dela chegar, queríamos nomeá-la de Suri. Porém ela já chegava com um nome. Jully.
      Seu primeiro dia em seu novo lar foi estranho. Todas aquelas pessoas, todos aqueles cômodos, todos aqueles brinquedos... tudo era diferente e novo. Talvez sentia um certo medo e insegurança, mas isso não a impedia de tentar se adaptar ao novo lugar. Com muita paciência, eu e minha irmã fomos tentando conquistar sua confiança. E no final do primeiro dia, ela já não ficava mais escondida debaixo do sofá. A noite, era levada para dormir junto conosco, em nossos colchões. Era muito pequena e todos achavam melhor nas primeiras noites, não deixá-la sozinha.
      Uma coisa quente e molhada podia se sentir naquele colchão na manhã seguinte. Mas que beleza... Jully havia feito xixi no meu colchão! Todos ficavam frustrados com aquilo, certamente teríamos que educar aquela pequenina. As refeições eram simples, simples demais, apenas leite e quatro grãos de ração, mas era indicação de sua antiga família. Porém isso não durava muito tempo, logo sua refeição foi sendo cada vez mais aprimorada e ficando cada vez mais saborosa. Afinal, ninguém gosta de comer algo sem sabor.
      Nos primeiros meses aquela pequenina foi revelando uma personalidade agitada, arisca, e dependendo até irritante. Não podia ver alguém andando, que já corria atrás para morder os sapatos da pessoa. Não podia receber um carinho na cabeça, que já queria morder a mão da pessoa. Não podia ver uma cadeira de madeira, que simplesmente a devorava. Não se sabe quanta coisa já foi destruída por aquela criaturinha. A almofada que usava como cama, simplesmente fora destroçada... as roupas para o frio, foram despedaçadas, nem mesmo servindo para ser pano de chão... os brinquedos de borracha pareciam brinquedos deformados, já que eram destruídos por ela... os móveis da casa estavam quase todos mordidos e riscados... Jully realmente era muito agitada em sua infância.
      Os anos foram passando, e Jully foi crescendo. Fugiu de casa, quase engravidou, aprendeu truques de adestramento, ficou com um berne morto nas costas durante 3 anos, só foi ser castrada aos 10 anos de idade, enfim, inúmeras coisas aconteceram. E a cada acontecimento, Jully se tornava cada vez mais sábia. Sua personalidade definitiva não era uma cachorra arisca, irritante, agitada e destruidora de móveis. E sim uma cachorra calma, paciente, obediente, carinhosa, boazinha, boba, folgada, preguiçosa, gulosa, enfim... Jully era Jully.
      Na manhã do dia 8 de outubro de 2011, aproximadamente as 7hr da manhã, Jully falecia em sua casa, ao lado da vovó que cuidou dela durante toda sua vida. Não se sabe o que estava sentindo no leito de sua morte, mas ao menos não estava sozinha quando deixou este mundo. Ninguém gostaria de morrer sozinho. Ao menos um adeus, todos gostariam de dar, e assim foi com Jully. Fico mais tranquila com isso.
      Sua morte fará com que sua vida fique apenas nas lembranças. Por isso espero encontrá-la novamente algum dia, quando ela renascer. Todos esperam nunca mais renascerem pois isso indica que já atingiram sua iluminação... porém eu quero que ela volte, que ela volte para este mundo, que renasça e volte para mim. Pode parecer um pouco egoísta... mas um vazio ficará em meu coração enquanto não encontrá-la novamente. Quero poder viver ao seu lado novamente, não quero perdê-la para sempre. Então por favor, volte, Jully. Volte e me encontre de novo.

Jully - 28/08/2000 - 08/10/2011

Estarei esperando.


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quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Mudar o Mundo

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      O desejo de mudar o mundo era enorme. Idéias malucas e incríveis se formavam dentro daquela mente criativa. Porém, como aquela criança poderia mudar o mundo? Apenas suas intenções já bastavam para um começo de uma mudança. Tanta injustiça, tanta miséria, tantos problemas. Realmente havia muito o que se fazer.
      Começou bem devagar, aos poucos. O início era o planejamento e teria que ser bem feito, pois era a partir dali que todo o resto seria construído. Mesmo sem a ajuda de ninguém, aquela criança ainda tinha fé de que poderia mudar o mundo, mesmo que fosse bem pouco, mas mudá-lo de alguma forma.
      Com o planejamento terminado e revisado, a pequena criança colocou o plano em prática. Começava pelas pessoas. Elas tinham que mudar, para que uma mudança pudesse acontecer de verdade. Mesmo sendo poucas no começo, a criança ficou extremamente animada, pois agora sabia que não estava sozinha. As pessoas começaram a ajudar a limpar as ruas, a respeitar uns aos outros, a fazer doações para aqueles que precisavam, a respeitar as leis, a agir com dignidade, conseqüentemente a se tornarem mais felizes. 
      O número de pessoas foi aumentando. Aos poucos o bairro foi melhorando. Logo se tornou o melhor bairro da cidade, com mais igualdade em todos os sentidos, nenhum crime, natureza exuberante sem ser prejudicada pela população local, pessoas, animais, patrimônios, todos respeitando e cuidando da existência de cada um. Aquilo se espalhou pela cidade rapidamente. A criança agora tinha ajuda de pessoas influentes na cidade e região, e suas idéias seriam levadas para mais lugares.
      Problemas com a fome, miséria, entre outros foram aos poucos sendo dissolvidos. Era uma grande mudança acontecendo. Da cidade fora para a região, da região fora para todo o estado, do estado fora para todo o país, do país se espalhou para todo o continente e do continente se espalhou para todos os outros continentes do mundo. Aquela criança não poderia estar mais feliz. Um mundo sem necessidade de guerras, a fome não existia mais, religiões respeitavam umas as outras compartilhando seus ideais, culturas e tradições educavam diferentes povos pelo mundo, a natureza era respeitada pois todos dependiam dela para viver, todos os seres, vivos ou não, agora existiam de forma harmoniosa e respeitosa. Tudo a partir de uma mente justa, pura e criativa de uma criança.
      Infelizmente, esse mundo perfeito não durou muito. Pessoas sempre queriam mais. A sede de justiça perde para a sede de ter mais. Injustiças começaram a aparecer novamente, pessoas mais favorecidas que as outras começaram a aparecer, culturas e religiões começaram a discriminar umas as outras, a fome a e miséria voltaram. Aquela criança viu seu mundo desmoronar novamente. Ao abrir os olhos, viu seu mundo ser destruído pela realidade.


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sábado, 2 de julho de 2011

O Solitário Verde

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Caí... e estou aqui, sozinho.


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Meu brinquedo favorito

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Qual seu brinquedo favorito?
      Tudo começou quando eu tinha 6 anos, que foi quando começou a distribuição dos bichinhos da coleção da Parmalat. O primeiro que ganhei, foi um rinoceronte, junto com minha irmã, que havia pegado uma vaquinha. Dei o nome de Reno Renociro para o rinoceronte. Minha irmã havia nomeado a vaquinha de Mimosa. Estávamos muito felizes em ter ganhado aqueles bichinhos, e passávamos horas e horas todos os dias brincando com eles.
      Eram muitos bichinhos. E queríamos todos, claro. Na segunda vez, escolhi um porquinho cor de rosa. Haviam vários porquinhos cor de rosa para escolher, porém escolhi justo 'aquele'. Ele tinha a cabeça mais triangular do que do resto dos porquinhos, seus olhos pareciam menores do que dos outros, sua pelugem não era brilhante como a dos outros, ele era um pouco desbotado também. Por alguma razão escolhi o não perfeito. Minha irmã havia escolhido um carneirinho, que não me recordo o nome, mas ela havia decidido que seria uma carneirinha. Demorei dois dias para escolher um nome para o porquinho cor de rosa. Minha inspiração foi o seriado 'Família Dinossauro', na qual me lembrei que o Baby era cor de rosa, quase do mesmo tom do meu porquinho, já que era meio desbotado... então o nomeei de Baby. Porém, como o Reno tinha um sobrenome, achei que o Baby também merecia ter. Então levei mais um dia para nomear meu porquinho. Sabe aquela música da Eliana, "Pop Pop"? Então... depois de muito pensar, e inspirada nessa música, havia chegado a uma conclusão. Baby Popinho. Ridículo. Mas naquela época, achei a ideia maravilhosa.
      Comecei a deixar mais de lado o Reno, e passei a dar mais atenção ao Baby. Eu me sentia culpada, pois eu achava que deveria gostar mais do Reno, já que ele fora o primeiro que eu havia ganhado. Com o tempo, mais bichinhos da coleção ganhávamos, mas eu sempre preferia o Baby. Até que percebi, que Baby Popinho, era meu brinquedo favorito.
      Todos os bichinhos da coleção seguravam uma caixinha de leite... só que eu e minha irmã simplesmente tiramos as caixinhas, e ficamos apenas com os bichinhos.
      Me lembro de alguns 'amiguinhos' do Baby. Além do Reno, que era um grande amigo do Baby, da Mimosa, que era a que ajudava todos, e da carneirinha, que era a que gostava do Baby, me lembro que tínhamos o gatinho branco, que eu e minha irmã nomeamos de Mimi, que era a metidinha da turma; tínhamos o urso polar que se chamava Roger Computer e era mulherengo; tínhamos o leão marinho que se chamava Leôncio, que era preguiçoso; também tínhamos um outro porquinho cor de rosa, que era da minha irmã, que não me recordo do nome, mas era a irmã mais nova do Baby, que era a bravinha da turma; e tínhamos um cachorro de pelúcia marrom que não era da coleção, que se chamava Toby, mas fazia parte da turma. Não posso esquecer do Paninho Verninho, que era de uma grande amiga de infância e melhor amigo do Baby. Ele não era da coleção dos bichinhos da Parmalat e muito menos era um bichinho de pelúcia. Era uma toalhinha pequena de rosto, aveludada, de um vermelho forte, que era enrolada até que ficasse como um tubo, e então era amarrada com um laço um pouco acima do meio, para que fosse a divisão da cabeça com o corpo, e tinha até cabelinho, já que nas extremidades da toalha tinha o acabamento desfiado do pano. Baby e Paninho sempre se metiam em grandes aventuras pelo mundo, junto com sua turma.
      Aos 12 anos, tive que abandonar todos eles. O primeiro ataque de asma havia acontecido, e o médico havia dito para retirar toda fonte de poeira, ácaros e etc, tudo o que poderia causar uma alergia. Eu ainda brincava sim com brinquedos e pelúcias aos 12 anos. E tirar a minha brincadeira favorita, foi triste. Fizemos uma limpeza geral nessa época, e com isso alguns membros da turminha do Baby, foram doados. Só não deixei levar o Baby.
      Ficaram um bom tempo guardados na gaveta debaixo da minha cama. Acho que só aos 16 anos, que foi quando os ataques estavam mais controlados e quando havíamos nos mudado, que pude tirar todos da gaveta. No momento em que vi o Baby novamente, o abracei. Não por muito tempo, afinal ele estava cheirando a mofo... mas o lavei bem e logo voltou ao normal.
      Eu já não brincava mais com ele, mas o que importa é que ele estava de volta.

      Hoje, depois de 14 anos desde que o conheci, ele fica na minha estante, junto com seus novos amigos sapos de pelúcia e com o antigo amigo Toby. Aquele porquinho de pelúcia desbotado, com cabeça triangular, de olhos pequenos... tão especial para mim. Olho para ele e lembro dos bons momentos, do quanto ele fez parte da minha vida, do quanto ele me ajudou a criar um mundo lindamente imaginário, apesar de ser apenas um brinquedo de criança. Todos os dias posso vê-lo ali... e sorrir.



Recordar da boa época, da boa e inocente época em que a humanidade ainda poderia ser salva pela criatividade de uma criança.


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domingo, 5 de junho de 2011

Nada além disso

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E daí? E daí que humanos pensam, raciocinam...


...amam, odeiam, traem, choram, riem... 


...se emocionam, matam, ofendem, fingem, descobrem, se decepcionam... 


...elogiam, criam, dormem, acordam, vão, voltam...


...e inúmeras outras coisas? E daí? Só são capazes disso, mais nada.



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domingo, 17 de abril de 2011

A Realidade de Marrie

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      Naquela casa enorme com um grande jardim, a pequena criança estava sozinha a brincar. Era uma garotinha de 6 anos, alegre, tímida, criativa, e simplesmente adorava brincar. A solidão nunca havia atormentado essa pequena garota, sempre estava rodeada de criaturas fantásticas, amigos imaginários, monstros feiosos e de tudo o que vinha a sua cabeça. Marrie, era seu nome.
      O fim de tarde daquele sábado se tornara um sábado mágico, ao menos para Marrie. Ela, em seu jardim, corria de um lado para outro se escondendo atrás de arbustos e árvores, como se estivesse se escondendo de algo perigoso, ficava atenta olhando para todos os lados antes de voltar a correr. Como se estivesse na companhia de vários amigos, Marrie falava sozinha, ou melhor, conversava com seus amigos imaginários, planejando um ataque contra seus inimigos perigosos para salvar seu incrível mundo mágico. Passava todo aquele resto do dia brincando e se divertindo, pois acreditava fortemente na veracidade do que imaginava, e que tudo o que acontecera fosse real. Mais tarde saberia que tudo isso não se passava de um mundo imaginário, que o verdadeiro mundo não pode ser do jeito que todos querem, que a realidade pode ser cruel ao mesmo tempo que não seria tão cruel assim... porém, por hora, a realidade de Marrie, era simplesmente a realidade de Marrie.


A infância é a fase da vida mais bela e alegre de todas. A imaginação toma conta da realidade. Um mundo que não poderia existir, existe.

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quarta-feira, 6 de abril de 2011

Viver

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Se nasci para morrer, pra que viver?

'Pra que?' Se questionava Amber. Ela não entendia o motivo das pessoas lutarem para viver, dos animais lutarem para viver, de todos os seres vivos lutarem para viver. Era algo que a intrigava. Claro que sabia que cada ser vivo vivia basicamente para perpetuar sua espécie, mas mesmo assim, se o final nunca irá mudar, não adianta lutar contra, pois um dia ele irá chegar... essa era a base de sua idéia. 
Amber tinha trinta e poucos anos, era uma mulher de grande sucesso em sua área profissional, que por sinal era na área da ciência. Ela sempre quis ir em busca dos mistérios por trás da vida, mas com todos esses anos trabalhando nisso, começou a pensar, que no final, o que espera é a morte. Imaginava se os suicidas eram espertos ou fracos. Sua vida parecia agora ser apagada, sem cor, pois tudo o que fazia, sabia ela que iria acabar.
A bela mulher, separada, mãe de dois filhos homens, caminhava no belo parque de sua cidade no entardecer. As árvores do outono eram alaranjadas, o lago refletia o céu de mesmo tom, tudo era lindo e relaxante. Porém, para Amber, aquilo era nada demais, de que adiantava prestigiar tal coisa afinal? 
Depois de muito pensar e caminhar, ela sentava-se no gramado coberto por folhas vermelhas das árvores do outono sobre uma dessas árvores. Encostava a cabeça na mesma e olhava para o céu, para o imenso céu.



Percebia que se não estivesse viva, não estaria ali naquele momento, não teria criado dois filhos maravilhosos, não teria tido a oportunidade de ver tudo o que já havia visto até aquele momento. Amber percebia que a vida era uma oportunidade, e que por isso todos que a tem, deveriam aproveitá-la ao máximo, pois jamais terá outra oportunidade de conhecer a vida e com ela conhecer coisas incríveis, e cada um conhece a vida a sua maneira. Ela percebia que já havia visto muitas coisas, vivido muitas coisas, e que tudo isso não fora em vão, tudo isso é a sua história, tudo isso existiu, é o que fez da sua existência a própria existência, é a sua própria vida. Mesmo que no final a morte seja seu destino, teve a oportunidade de viver.

Se nasci para morrer, pra que viver? Viver para viver, e deixar que a morte faça da sua vida, a sua história.



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quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Meu sorriso

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      O céu estava escuro ainda, eram 4 e meia da manhã. A neblina deixava o caminho todo com um ar de filme de terror... mas não me abalei e continuei andando. O caminho era de terra, haviam árvores beirando a estrada, e, apesar do cenário escuro, não tinha medo.
      Eu estava de pijama e usava um par de tênis... era para a caminhada. Levava meu cobertor junto, cobrindo meu corpo naquele frio. A estrada sempre era vazia, ninguém iria me ver de pijama de moleton azul bebê com estampa de nuvens com carinhas felizes... e com tênis e cobertor... ainda bem. O céu aos poucos começava a azular conforme eu seguia meu rumo, e já se escutava os primeiros cantos de alguns passarinhos.
     Depois de alguns minutos andando sem parar, eu me sentava em uma pedra que estava na beira da estrada, que a esse ponto já era asfaltada, e ficava a descansar um pouco antes de continuar. O céu estava lindo, em um tom alaranjado, e, apesar do frio que ainda prevalecia, as cores quentes do nascer do sol já me ajudavam a me sentir mais aquecida. O lugar onde eu estava era alto, a neblina estava começando a desaparecer, mas o horizonte nas partes mais baixas ainda estavam escondidas pelo lençol intocável. De qualquer forma, era relaxante observar e sentir a natureza acordando.


      Me levantei e continuei a caminhar. Queria ver o nascer do sol naquele lugar, então teria de me apressar para não perder a viagem. Mais minutos se passavam e finalmente consegui chegar no meu lugar...
      Havia uma cerca, que era onde se criavam cavalos, algumas árvores em volta e um banco. Me sentei no banco, atrás de uma árvore que era perto da cerca, e fiquei a apreciar o sol nascer. Pode parecer que é nada demais... mas me faz sorrir, e coisas que nos fazem sorrir pela sua verdadeira natureza, é algo que deve ser valorizado e admirado com todo seu amor.


      O que te faz sorrir... de verdade?

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terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Rotina

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      George observava as pessoas. Estava aquele jovem rapaz com seus 26 anos olhando para todos que passavam pela rua da janela de seu apartamento. Ele percebia que todos os dias, as mesmas pessoas, faziam as mesmas coisas... era a rotina. Ele se perguntava se essas pessoas não se questionavam de suas vidas, se realmente valia a pena se sacrificar tanto para ter aquelas vidas monótonas. Ele não entendia a rotina, sempre queria fugir dela, pois sabia que se a deixasse tomar conta de sua vida, ele não viveria por ele mesmo, apenas viveria para seguir o fluxo.
      O rapaz saía de sua casa e entrava nas ruas da cidade. Observava com atenção para as pessoas que ele já havia observado durante um certo tempo. 
      Formigas. As pessoas eram como formigas para ele. E a cidade, o formigueiro. Não é difícil de comparar, há muitas semelhanças. As pessoas seguiam o fluxo, a rotina da cidade... e o fruto do trabalho de cada um, mantinha o enorme formigueiro funcionando.
      George achava engraçado o fato de que as pessoas a um primeiro momento, se sentiam incomodadas pelas pessoas que não seguiam o fluxo corretamente. Claro que criminosos, malucos, bêbados entre outros que fazem mal as pessoas não conta... mas por exemplo, um jovem gótico usando roupas pesadas, cheias de correntes entre outros adereços, incomodava as outras pessoas "normais". Pessoas normais são formigas. Era essa a definição de uma pessoa normal para George.
      Ele voltava para seu apartamento. Deitava no sofá e dormia.
      Ao amanhecer, George acordava. Tomava banho, ia tomar café, depois saía para comprar jornal e dar uma volta na praça, voltava para almoçar, ficava observando as pessoas o dia todo, jantava, tomava banho e ia se deitar. Ele começou a notar que sua vida era uma rotina. Uma vez ou outra mudava essa agenda... mas percebeu que se acomodou e deixou a rotina tomar conta. Segurança. Talvez fosse por isso que as formigas não mudam... se sentem seguras fazendo as mesmas coisas... mudar as deixam inseguras. George agora havia entendido porque a maioria vivia assim. Mas mesmo sabendo disso, o jovem não queria viver assim. Começou a fugir da rotina novamente.
      Acordava, saía de pijamas pela rua, dava uma volta e voltava para casa, tomava café, tomava banho, saía de casa de novo para tocar violão no meio da praça pra ganhar umas gorjetas, ia pescar... enfim, fazia um monte de coisas aleatórias sem seguir um horário. Durante um certo tempo, sempre variando nas suas atividades anti-rotina, isso deu certo. Mas agora sua rotina era essa: fugir dela. Não adianta, quando se acomoda é porque segue uma rotina.
      George se cansava. Cansava de tentar fugir de algo que o perseguia. Se entregava a vida, deixando se levar pelo fluxo, apenas. O que ele não sabia, era que esse fluxo é cheio de surpresas.

A vida é bem monótona. Coisas que as pessoas pensam que são incomuns, na verdade são mais comuns do que se imagina. Amigos bêbados e felizes deitados na grama depois de beberem em um bar, uma mulher pintando um quadro no meio da praça, um rapaz fotografando tudo o que via praticamente, um grupo grande de pessoas fazendo um flash mob ali perto... coisas que não estamos acostumados a presenciar a todo o momento tornam-se coisas incomuns... mas coisas incomuns não quer dizer que são inéditas.
Nada de mais novo parece acontecer. Mas quando menos esperamos, uma caixa de surpresas aparece.

A vida é bem monótona... mas é interessante vivê-la.


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domingo, 16 de janeiro de 2011

O filho

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Era uma vez um casal muito apaixonado que estava prestes a ter um bebê. A mamãe já estava no hospital, quase pronta para dar a luz, e o papai esperando ser chamado para ficar ao lado de sua amada e ver seu querido filho nascer. Não passava muito tempo, o papai entrava na sala e segurava na mão de sua amada, que parecia sofrer um pouco devido ao trabalho de parto. Poucas horas depois, o bebê finalmente nascia! Era um menino saudável e grande, que fazia seus pais sentirem as pessoas mais felizes desse mundo.
O bebê chegava ao seu novo lar, na qual viveria momentos felizes que ficariam marcados para sempre em sua vida. No começo foi difícil o casal se acostumar com a nova rotina, mas com muita paciência e amor, o papai e a mamãe conseguiam deixar seu bebê saudável e feliz. Trocavam as fraldas fedorentas do bebê com toda a alegria, ficavam acordados até tarde para fazer a criança adormecer, levavam o bebê de madrugada ao hospital quando algo de errado acontecia... tudo isso sem reclamar... simplesmente porque o amavam.
Poucos meses se passavam, e a mamãe já começava a alimentar seu bebê com papinha. Ainda era novinho para comer sozinho, mas com o amor e ajuda da mamãe, o bebê podia se alimentar para ficar cada vez mais forte.
Passava meses, e o bebê já estava querendo andar... seu papai o segurava pelas mãos com muito cuidado e com carinho, e o deixava andar com segurança. Assim que ficava a poucos centímetros de sua mãe, o papai soltava as mãozinhas, e o bebê saía andando até sua mamãe! Os dois pularam de alegria ao ver seu filhinho andar pela primeira vez! Que inesquecível.
Os banhos eram alegres, e o pequeno garotinho se sentia confortável e feliz, pois a mamãe o segurava com muito cuidado para não ir água nos seus olhos e nariz, e lavava cada parte de seu corpo muito bem lavada, pois a higiene era fundamental.
Com três aninhos, o bebê já era uma criança! Ele começava a aprender a ler, e seus pais o ajudavam a entender cada letra e cada palavra com muita paciência a amor.
Aos 5 começava a fazer arte, e deixava seus pais bravos, que fazia o garoto ficar triste, mas pelo menos aprendia a lição para se tornar uma boa pessoa.
A partir daí veio muitas lições... que seriam difíceis de lhe dar, mas que papai e mamãe jamais desistiriam, pois afinal, era o filho querido deles.


Aos 30 anos, já casado, com filhos... aquele bebê, se tornara um homem de sucesso, um homem honesto que sempre queria o bem dos outros. 
Seus pais se orgulhavam muito da pessoa que ele havia se tornado, e ele de seus pais por terem o tornado assim.
Os anos se passavam... e seus pais envelheciam. 
O bebê, que agora era aquele homem, cuidava de seus pais. Pois eles logo começavam a ter dificuldades para ler, e o bom filho os ajudava a entender cada letra e cada palavra com muita paciência e amor. Aos poucos foram ficando mais doentes e dependiam de seu filho para tomarem banho, que lavava cada parte de seus corpos muito bem lavadas, pois a higiene era fundamental. Andar estava ficando difícil, e o bom filho logo segurava nas mãos de seus pais com muito cuidado para ajudarem a andar com segurança. Cada vez mais era difícil de pegar um garfo e levar até a boca para se alimentar... mas o filho os ajudava a se alimentarem dando comida até a boca, e aos poucos foram ficando menos sólidas, eram como papinhas.
Passavam-se os anos, e a vida era cada vez mais difícil para aquele casal apaixonado... mas seu filho sempre estava ali... trocando fraldas fedorentas, ficando acordado até tarde esperando pegarem no sono, levando eles ao hospital quando algo de errado acontecia... simplesmente porque os amava... e era eternamente agradecido por terem feito de tudo por ele.


"Nossos pais cuidaram de nós com toda a paciência e amor do mundo, sem nunca desistir... e quando chegar a nossa vez de cuidarmos deles... que façamos o nosso melhor, com toda paciência e amor do mundo, assim como eles fizeram por nós." - por 'Filho'



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