sábado, 20 de abril de 2013

Sorrir

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      Ela parecia ser uma jovem forte. Sempre estava sorrindo e sendo gentil com as pessoas, mesmo com muitos problemas em sua vida. 
      Elise tinha passado por maus bocados nos ultimos meses. - Sua mãe estava nos estágios finais do câncer de mama. Seu pai ainda causava confusões devido ao seu alcoolismo. Seu irmão cobrava quase toda semana uma quantia grande em dinheiro para comprar drogas. Seu ex-namorado, que a espancava e foi preso, seria solto em breve devido ao bom comportamento na cadeia. Sem falar nas inúmeras dívidas e os riscos de ter seus poucos bens tomados. - Mas ela continuava a sorrir.
      Amanda, uma amiga, ficava admirada com os fardos que Elise tinha que lidar e mesmo assim ela tinha disposição e ânimo para continuar a viver.

      - Não sei como você consegue... se fosse eu... acho que eu já teria me matado... - Disse Amanda, ajudando Elise a limpar o balcão da pequena cafeteria onde elas trabalhavam.
      - Que horror, Amanda! - Exclamou Elise. - Posso ter muitos problemas... mas se estou conseguindo mantê-los no controle, por mim tudo bem. - E sorriu.
      Amanda sorriu, feliz por ver que Elise estava 'bem'.

      No dia seguinte, Elise voltava para sua corrida rotina, e novamente... ficava sempre a sorrir.
      Amanda percebeu que Elise estava começando a se desanimar, e a convidou para tomar um café em uma lanchonete próxima.

      - Elise... - Disse a amiga, segurando com ambas as mãos a xícara de café, enquanto olhava de forma preocupada para Elise.
      - Hum...? - Respondeu Elise, levantando a cabeça, na qual estava cabisbaixa, sem sorrir.
      - Você sabe que pode contar comigo, não sabe? Sabe que eu vou te ajudar de qualqu-

      Antes que Amanda pudesse continuar a falar, Elise a interrompia e dizia de forma gentil:

      - Amanda, querida... eu sei. Muito obrigada por todos esses anos, por ser uma grande amiga, por ser uma irmã pra mim... - Disse dando um leve sorriso. - Mas está tudo bem. Eu consigo. Eu sei que consigo.

      Amanda ficou olhando durante um tempo para sua amiga, um tanto impressionada com sua determinação. Ela então olhou para seu café, tomou um gole e em seguida voltou a olhar Elise. Deu um leve suspiro e continuou a falar:

      - Tudo bem, Elise... mas se precisar de qualquer coisa, de qualquer coisa mesmo, não hesite em me chamar, ok? - Disse Amanda um pouco imperativa, apontando o dedo em direção a Elise, brincando como se fosse uma mãe dando sermão.
      - Claro, Amanda, pode deixar. - Disse Elise rindo.
      - Mas me diga uma coisa... - Disse Amanda, pensativa e curiosa.
      - O que?
      - Como? Como você consegue?
      - Oras... - Elise tomou um gole de seu café, e ainda olhando para a xícara, continuou. - Tudo tende ao equilíbrio, não é? Eu sei que depois da tempestade, sempre haverá um céu límpido e calmo. - Ela então olhou para a amiga e deu um sorriso. -  E a vida é a mesma coisa. Então quando penso em desistir... me lembro desse fato. Por pior que seja a situação, um dia irá passar e ficará tudo bem. A tempestade não serve para bagunçar nossas vidas... mas sim darmos valor à ela e as coisas que realmente importam.
 
      Amanda sentiu um conforto em si mesma, mesmo que não tivesse muitos problemas, depois de ouvir tais gentis palavras. Elise olhou para o lado de fora, viu a rua, as pessoas, a luz do entardecer alaranjando os prédios. Sorriu e disse:

      - E enquanto a tempestade não passa, sorria. E depois que ela passar... sorria também.


Dias ruins ou bons, um sorriso basta.

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segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

O Baú Trancado

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      Victoria vivia dentro de um baú. E este baú era trancado e ninguém tinha a chave para abri-lo, a chave estava perdida em algum lugar por aí. Porém Victoria não queria que abrissem seu baú, sua casa, seu mundo. Pois não estava pronta para sair. Apesar de estar aprisionada lá dentro, ela se sentia livre. Era livre para ser ela mesma em um mundo em que ela mesma criou. Ela tinha medo de sair, pois sabia que lá fora, teria que abrir mão de ser ela mesma, abrir mão de seu mundo, para poder sobreviver fora de seu baú.
      Em um belo dia, Victoria acordou com um som no que parecia serem chaves se mexendo. O som parecia cada vez mais próximo e Victoria logo se levantou da cama e encostou o ouvido na parede do baú para escutar melhor. De repente o som parou.

      - Ué? O que aconteceu? - Perguntou para si mesma, curiosa.

      E não demorou muito para o som voltar, e dessa vez estava bem próximo. Logo a fechadura começou a ser destrancada. Victoria olhou desesperadamente para tal fechadura, percebeu que alguém estava destrancando o baú. Ela olhou em volta à procura de alguma coisa que pudesse ajudá-la a evitar de abrirem sua casa, mas sem nada para ajudá-la, seu baú fora destrancado.
      Ela olhou em direção a abertura e viu uma sombra contra a luz, parecia ser um rapaz. Ele então simplesmente pulou para dentro do baú de Victória, e com um sorriso no rosto disse, olhando para ela:

      - Olá! Me chamo Tyler! Desculpe invadir de repente o seu baú... mas é que eu estava muito curioso para ver quem estava aqui dentro, já que eu tinha a chave.

      - Oh... er... oi Tyler, eu me chamo Victoria... - Disse a jovem moça, ainda um pouco perdida com a nova situação em que se encontrava.

      - Muito prazer, Victoria! E nossa, você é linda!

      Nesse momento Vitoria se sentiu lisonjeada e corou seu rosto. Mas ela tentou continuar a ser racional, e ainda séria, perguntou:

      - E como conseguiu a chave?

      - Bom... eu encontrei ela perdida por aí, e daí depois encontrei esse baú, daí fui tentar abrir e te encontrei!

      - Ah... - Disse Victoria, não acreditando muito naquilo.

      Tyler, simpático, sorriu e estendeu a mão para a jovem e disse:

      - Venha! Venha conhecer o mundo lá fora! Você vai adorar!

      Victoria sentiu medo, mas ao mesmo tempo sentiu uma grande curiosidade e vontade de explorar mundo a fora. Então ela respirou fundo e aceitou o convite, segurou na mão do garoto e juntos saíram do baú.
      Tyler mostrou um mundo totalmente diferente do mundo de Victoria. E as novidades a deixavam encantada, era um novo mundo, uma nova vida. E Tyler a deixava encantada também, por lhe mostrar aquele belo mundo.
      Passou bastante tempo do lado de fora, aprendendo sobre várias coisas, conhecendo pessoas novas, começou a ter novos gostos, etc. Tudo parecia ser maravilhoso, ao contrário do que ela pensava enquanto estava presa. Porém... esse mundo novo fez com que Victoria mudasse. Ela não sabia se tinha mudado para melhor ou pior. Ficou confusa, mas deixou isso pra lá e continuou a explorar o mundo novo.
      Quando Victoria voltou para sua casa, viu que não havia mais nada. Pois havia deixado seu baú destrancado. Destrancado por causa que Tyler estava com a chave. Haviam roubado suas coisas. Ela ficou desesperada, e logo pensou em voltar para a casa de Tyler para pedir ajuda.
      Porém durante o caminho, ela viu Tyler e seus amigos carregarem algumas coisas, levando para um carro. Eram as suas coisas. Victoria ficou chocada.
      "Tyler... por que?", questionou a inocente garota, com pequenas lágrimas escorrendo em seu rosto, enquanto via Tyler levar todas as suas coisas.
      Ela voltou correndo para o seu baú. No caminho tropeçou em algo jogado no chão. E ao ver o que era, ficou surpresa. Era sua chave. Victoria olhou chocada ao encontrá-la jogada ali de forma grotesca e quase quebrada, e a pegou rapidamente, entrou em sua casa e trancou-a novamente. A jovem se sentou no chão,  enquanto estava encostada na porta, segurou a chave com ambas as mãos e trouxe para perto do peito, e começou a chorar.
      Victoria então decidiu que a partir daquele momento, jamais destrancaria seu baú novamente. Jamais.

Se o baú for seu coração...

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segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

O Amor Indiferente de Romeo

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Você não consegue amar. Você não consegue me amar. Amar você é como se eu estivesse amando um vazio.

       Estas foram as últimas palavras de Claire para seu ex-namorado, Romeo. Ele lembrara muito bem de tais amargas palavras. "Eu não sei o que eu fiz de errado...", pensou o jovem homem, deitado em sua cama.
      Lembranças boas de seu relacionamento com Claire lhe vinham a mente. Para ele, tudo estava perfeito. Não conseguia achar algum sentido na repentina separação. Não conseguia entender o sentido daquelas cruéis palavras. "Claro que eu te amo, querida Claire... por que achas que não?", pensou intrigado.
      Romeo apenas se ajeitou em sua confortável cama e adormeceu. Mal sabia ele que sua amada estava prestes a suicidar.
      No topo do prédio onde Romeo morava, estava Claire aos prantos e na mais profunda dor, prestes a tirar a própria vida. Exagero? Talvez. Talvez fosse exagero se Claire realmente não tivesse amado um vazio.


      Claire conheceu Romeo em uma viagem turística na Índia. Ambos logo perceberam que tinham vários interesses em comum e também descobriram que moravam no mesmo bairro. Passaram a viagem juntos e Claire logo percebeu que havia encontrado o amor de sua vida. Romeo era respeitoso, charmoso, tinha um ar misterioso no qual fazia a jovem se sentir atraída para desvendar tais mistérios. Ele era bem humorado e era sempre muito cavalheiro com Claire. O rapaz também logo se interessou na bela moça e ambos começaram um relacionamento.
      Romeo raramente chamava Claire para sair, e isso fazia a jovem moça desejar cada vez mais seu amado. Quando saíam, Romeo quase não falava de sua vida, apenas escutava e perguntava a respeito de Claire, que adorava falar. Com o tempo, Claire foi percebendo tais atitudes de Romeo. Percebeu que quase sempre era ela que tinha que tomar a iniciativa para qualquer coisa entre os dois, como chamar pra ir no cinema, dar um abraço de ternura sem motivo aparente, entre outras coisas. E quanto mais ela tentava se aproximar e se adentrar na vida de Romeo, mais ele parecia se afastar e evitar Claire. "O que está acontecendo conosco?", questionou a jovem uma vez. "Do que está falando, querida?", perguntou o rapaz, confuso. "Você parece não se importar com a nossa relação...", disse Claire, triste. "Claro que me importo.", disse o jovem, sem perguntar algo como 'Porque?' para continuar a conversa, era como se ele não quisesse saber. "Está vendo! Parece que tanto faz estar comigo ou não!", disse Claire, revoltada. "Calma, querida... é que eu não quero que você dependa de mim e nem eu dependa de você...", respondeu de forma calma, sem se abalar com a frustração de sua namorada. "O que quer dizer com isso?", questionou Claire, confusa. "Não gosto de abrir mão da minha liberdade... só isso.", respondeu de forma indiferente. "Liberdade? Liberdade pra fazer o que?", questionou Claire. "Liberdade para ser eu mesmo.", disse Romeo. A conversa acabou ali.
      Os meses seguintes foram uma tortura para Claire. Passavam-se semanas sem se falarem, e quando retomavam a comunicação, era sempre a jovem moça que tinha que 'correr atrás'. Realmente para Romeo, não fazia a menor diferença estar ou não com Claire. Ele realmente gostava e se importava com ela, só que ao mesmo tempo era indiferente à aquilo. Claire chegou no limite. Era doloroso amar Romeo sendo que o mesmo não a correspondia, mesmo ele a amando de verdade. Ela chegou no limite e disse as ultimas palavras para seu amado. "Você não consegue amar. Você não consegue me amar. Amar você é como se eu estivesse amando um vazio."


      Claire deu seu ultimo suspiro e se jogou do prédio.
      No dia seguinte Romeo ficou sabendo da morte de sua amada. - Supostamente sua 'amada'. - Ele chorou em seu funeral. Chorou durante algumas semanas. Mas não se sentiu culpado. Para ele a culpa era dela mesma por não ter compreendido os seus sentimentos. - Sentimentos? Será que ele realmente os tinha? - Superou rápido e continuou com sua pacata vida.
      Romeo sentia que Claire era seu apoio e não o amor de sua vida, por isso continuava com a relação. Pois Romeo não sabia amar, e também não tinha interesse em querer aprender a amar.
      No fundo, Romeo, o jovem indiferente, apenas fora mal compreendido por Claire, a jovem normal.

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segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Um Louco - Capítulo 1: Memórias

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Capítulo anterior: Prólogo

       - Não duvido nada de que daqui a alguns anos as pessoas serão capazes de controlar o cérebro de outras pessoas... - Disse uma adolescente de 15 anos de cabelo loiro comprido e de olhos esverdeados, usava óculos e que estava sentada na mesa da cozinha, tomando o café da manhã.
      - Por que acha isso? - Perguntou o homem de 28 anos, chamado James, que estava na frente do fogão fritando um ovo com bacon, olhando para sua sobrinha de 15 anos.
      - Oras, tio Jay! Se já tem cientistas que conseguiram reproduzir as imagens que um cérebro reproduziu e cientistas que já conseguiram selecionar memórias específicas do cérebro e apagá-las do mesmo... acha mesmo que eles não vão dar um jeito de criar memórias falsas e inserir em nossos cérebros? Ou quem sabe vão dar um jeito de controlar as pessoas por completo através do cérebro!
      James ficou olhando um tempo para a garota um pouco surpreso e confuso com aquela visão de futuro, mas logo voltou a olhar o ovo com bacon na frigideira e disse:
      - Você anda assistindo muito Sci-Fi, Sky...
      Skylar, a adolescente, deu um suspiro, como se tivesse ficado impaciente e disse um pouco chateada:
      - Até você, tio Jay! Todo mundo me fala a mesma coisa... pensam que sou louca...
      James olhou para a sobrinha e se sentiu um pouco arrependido em ter dito tal coisa, e logo ele tentou se desculpar:
      - Ahn... é que você é muito mais inteligente que a gente! Sério! Digo... você tem umas idéias muito bacanas, mas os outros não entendem porque eles não tem uma mente muito evoluída... - James logo deu um sorriso meio forçado no final, tentando ser simpático.
      Skylar apenas olhou para o tio com uma cara antipática e se levantou da cadeira, se virou de costas e saiu da cozinha. James se sentiu ignorado e um pouco culpado por ter deixado sua sobrinha chateada. Ele apenas suspirou e voltou a olhar a frigideira:
      - Aiai... adolescentes...
       Skylar pegou seu skate que estava encostado perto da porta da sala e saiu da casa. James apenas olhou para a janela e viu sua rebelde sobrinha passar pela rua, sobre seu skate, e lhe mostrar o dedo do meio. James se sentiu ofendido com aquilo, mas já não era a primeira vez que ela fazia isso. - Skylar era a filha de seu irmão mais velho, Kevin. Kevin e sua mulher tinham morrido em um acidente de carro a um ano atrás quando Skylar tinha 14 anos de idade. E foi nesse ano que a vida de James mudou completamente. Ele estava acostumado a levar uma vida de solteiro cheia de festas e belas mulheres, e quando Skylar entrou para sua vida, tudo isso foi embora. E para piorar a situação, ele pegou sua sobrinha bem na época da puberdade. O ano passado foi realmente difícil para James. Skylar estava se tornando cada vez mais rebelde, e com a morte repentina de seus pais, sua revolta era ainda maior. Mesmo que já havia se passado um ano, Skylar não se conformava com a morte deles. - James pegou a frigideira e colocou dentro de seu prato, os ovos com bacon e disse para si mesmo, se lamentando:
      - Kevin, Kevin... seu desgraçado.

---

       Era sexta-feira e James já estava terminando seu expediente. Josh, que estava na cabine ao lado, logo colocou a cabeça para fora da mesma e olhou para James e o chamou:
      - Hey, James!
      - Que é, Josh... ocupado aqui... - Disse James enquanto terminava de digitar algumas coisas do trabalho.
      - Hoje no Kim vai ter uma festa de uns universitários que estão se formando, e vai um monte de universitárias gostosas lá... nós vamos, certo? - Disse Josh, com um sorriso malicioso e irritante.
      - Cara... - James se virou com a cadeira giratória e olhou para Josh. - cansado. A Skylar vai levar umas amigas dela pra dormir em casa, e eu não quero que façam bagunça... e me pediram pra comprar umas coisas pra elas no supermercado também... então aproveite a festa sozinho. - Logo James retornou a fazer o que estava fazendo.
      Josh ficou um tanto inconformado com aquela resposta desanimada e séria do amigo e disse:
      - Qual é, cara! Vai dar uma de babá agora? Haha, fala sério!
      - Pois é... o Kevin é um desgraçado por ter morrido, e agora eu tenho que cuidar das coisas dele... e 'essas coisas' seriam basicamente a Sky... e a Sky é uma humana e minha sobrinha, então não posso abandoná-la ou dar ela pra alguém... - Disse James meio irônico, enquanto digitava.
      Josh ficou um tempo sem saber o que falar. O homem de cabelo escuro e olhos castanhos se levantou e apoiou sua mão no ombro de James e disse, um pouco chateado por seu amigo não poder acompanhá-lo na festa:
      - Bom... deixa pra próxima então, né? Boa sexta pra você, cara. - Disse Josh, dando uns leves tapinhas no ombro.
      - Valeu, cara. Boa festa no Kim. - Disse James, fazendo um jóia com a mão.
      Josh então saiu da cabine e foi embora. Depois de um tempo, James terminou o serviço e também foi embora.
      No supermercado, James comprava biscoitos, refrigerante, salgadinhos e outras porcarias que Skylar e suas amigas haviam pedido. Ao virar uma quina daquele corredor de prateleiras, a lâmpada do teto que estava sobre ele simplesmente apagou. James olhou para cima e nesse momento sentiu um grande tontura. Sua visão ficou turva e tudo a sua volta começou a perder a forma, as cores pareciam se misturar umas com as outras, tudo perdeu o sentido, era como se ele estivesse girando em alta velocidade sem parar... até que alguém segurou em seus dois ombros e o fez voltar em si.
      - James? Tu bem? - Perguntou Josh, que estava a sua frente, o olhando um pouco preocupado.
      James ainda estava um pouco desnorteado depois daquela intensa tontura olhou para seu amigo e antes de responder, olhou em volta e se tocou de que estava em outro lugar... não mais no supermercado, e sim no Kim's Bar. Extremamente confuso, James disse, enquanto olhava em volta:
      - Como assim?? Como eu vim parar aqui? - Então ele olhou de volta para Josh, um tanto desesperado. - Eu estava no supermercado, por que estou no Kim?? O que houve?
      - O que?? Do que falando, Jay? - Perguntou Josh, confuso, tirando as mãos dos ombros de James as levando para cima, erguendo os ombros, como se não estivesse entendendo nada.
      James ficou olhando Josh durante um tempo, confuso por seu amigo não saber da resposta, pois ele esperava que ele pudesse saber o que tinha acontecido. Ele olhou para baixo, tentando entender a situação. Josh logo disse:
      - Você tava aí parado, olhando pro nada... eu tava te chamando faz tempo... e você parecia que estava em outro lugar, realmente... no que você tava pensando hein? Você parecia que tava no mundo da lua, cara, haha!
      - Eu... estava aqui faz tempo? - Perguntou James olhando para Josh, ficando ainda mais confuso.
      - Sim, você veio comigo, logo depois do trampo... não lembra?
      James contrauiu suas sobrancelhas, como se não estivesse entendendo absolutamente nada. Olhou em volta e viu várias garotas bonitas, vários jovens, bebidas, pessoas dançando e etc. Ele voltou a olhar Josh e disse confuso:
      - Eu... vou ligar pra Sky... ela me disse que umas amigas iam dormir em casa...
      - Ok. - Disse Josh, erguendo os ombros.
      James então pegou o celular e ligou para sua casa. Esperou um tempo até que Skylar atendeu:
      - Alô? - Disse Sky, com uma voz rouca, de como quem acabou de acordar.
      - Sky? É o tio Jay... você está com suas amigas aí?
      - Que? Estou com a Lucy, a vizinha... por que minhas amigas estariam aqui? - Perguntou Sky um tanto confusa.
      - Ahn... - Confuso, james continuou. - É que você tinha me dito que hoje umas amigas suas iriam dormir em casa... e tinha me pedido pra eu ir comprar algumas coisas no supermercado e...
      - Você bêbado, tio? Do que falando? Sabia que você me acordou? Aff... você me disse que tinha uma festa pra ir hoje e por isso a Lucy ia ficar aqui em casa pra cuidar de mim... ou o melhor... pra me vigiar pra eu não fazer nada de errado...
      - Eu... disse isso...? - Perguntou James, ficando cada vez mais confuso.
      - Disse, tio! Agora deixe eu dormir que morrendo de sono... - Disse Sky, um tanto impaciente.
      - Ah, ok... desculpe...
      - Tchau.
      - Tcha-
      'Tu, tu, tu...' - Skylar desligou antes mesmo de James terminar de falar.
      James apenas olhou para seu prórpio celular, ficando um pouco chateado com o comportamento de sua sobrinha, e apenas guardou o celular de volta no bolso. Josh logo perguntou:
      - E aí?
      - Ahn... ela com a Lucy só... - Respondeu James confuso.
      - Cara, você deve ter tomado alguma coisa muito louca pra ter esquecido tudo né? Vamo chapar o coco, cara! Vamooo, uhuull! - Disse Josh, empurrando James para o meio do bar, onde havia uma pista de dança lotada de pessoas bonitas e jovens.
      James imaginou que ele pudesse estar bêbado e por isso nada fazia sentido, então ele apenas tratou de se animar e curtir a festa.

---

      Em uma tela de computador: 

      < excutar_usa_nyc_892834_75134987917380 >
      < comando_47982 >
      < comando_47982 >< executando >...

      Depois de alguns segundos:

      < excutar_usa_nyc_892834_75134987917380 >
      < comando_47982 >
      < ERROR > "Conflito de memórias"
      < ERROR > "Conflito de memórias"
      < ERROR > "Conflito de memórias" 
      < ERROR > "Conflito de memórias"
      ...

      E depois de um minuto, parecia estar digitando algo: 

      ...
      < ERROR > "Conflito de memórias"
      < ERROR > "Conflito de memórias"
      < ERROR > "Conflito de memórias"
      < ERROR > "Conflito de memórias" 
      < comando_48948_get_drunk > "Reajuste de memórias"
      < comando_48948_get_drunk >< executando >...

      E segundos depois: 

      ...
      < ERROR > "Conflito de memórias"
      < ERROR > "Conflito de memórias"
      < ERROR > "Conflito de memórias"
      < ERROR > "Conflito de memórias" 
      < comando_48948_get_drunk > "Reajuste de memórias"
      < comando_48948_get_drunk >< executado >
      < MESSAGE > "Memórias parcialmente reajustadas"


Continua...
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sábado, 12 de maio de 2012

Um Louco - Prólogo

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      De repente acordei. Estava com a cabeça apoiada sobre uma mesa de escritório, babando sobre o teclado do computador. Ao erguer a cabeça me vi dentro de uma cabine dentre 20 outras cabines daquela sala de uma grande empresa, aí sim percebi que estava dentro de um grande escritório. Na minha frente haviam inúmeros bilhetes colados na parede, ao meu lado apenas escutava o colega discutir com alguém no telefone, do outro lado havia um homem de pé apoiando seus braços sobre o topo da minha cabine, me observando, rindo da minha cara. Eu, ainda confuso e perdido, tentando abrir os olhos devido a forte luminosidade do escritório, perguntei:
      - Que foi?
      - Cara, você tava babando... - Disse o homem ainda rindo.
      Antes de respondê-lo, percebi que não me lembrava de nada. Quem eu era, quem era aquele homem, onde eu estava... simplesmente não sabia o que estava acontecendo. Comecei a me desesperar. Me levantei da cadeira e olhei fixamente para o homem com certo desespero e perguntei:
      - Onde estou?
      Surpreso, o homem olhou para os lados, ficando confuso com minha atitude e depois voltou a me olhar, e respondeu, como se me conhecesse a anos:
      - Tu no trampo, meu chapa! Tu bem?
      Fiquei em silêncio olhando para ele ainda sem entender. Ele continuou a me olhar como se eu fosse louco e disse:
      - James... você bebeu muito ontem?
      Percebi que todos a minha volta me observavam como se minha atitude estivesse sendo realmente estranha naquele momento. 'James'. Talvez esse fosse meu nome. Fiquei ainda mais confuso e imaginei que poderia estar tendo algum tipo de amnésia, então respirei fundo e me acalmei. Logo voltei a olhar o homem e falei:
      - Desculpe... acho que bebi muito... er... onde é mesmo o banheiro?
      - Saindo da sala, no final do corredor a direita... - Respondeu o colega, ainda sem entender minha situação.
      - Ok, obrigado...
      Agradeci e fui até o banheiro masculino.
      Ao entrar, olhei diretamente para o espelho. O homem que vi no reflexo provavelmente era eu. Me aproximei e toquei meu rosto. Cabelos castanhos, olhos azuis, pele pálida. Um cara atraente e bem arrumado. Eu nunca tinha visto aquele rosto antes. Eu não lembrava de mim mesmo.
      Decidi mexer em meus bolsos e logo encontrei uma carteira. A abri e peguei o primeiro documento que vi. Nele tinha uma foto 3x4 do rosto que vi no espelho, o nome, a data de nascimento, o local de nascimento, o nome dos pais e entre outras informações:
Nome: James Tyler
Data de nascimento: 21/04/1984
Local de nascimento: Nova Iorque, NY
      Só li até o local de nascimento. Me perguntei se eu estava em Nova Iorque ou em outra cidade. Ou quem sabe, em outro país. Eu estava confuso. Totalmente perdido. Parecia que eu tinha surgido de repente no mundo e me colocaram para viver, mas não me informaram nada... quase como um jogo do The Sims, onde você monta seu personagem, escolhe se será uma criança, adulto, idoso e joga com ele. A diferença é que no jogo o personagem é guiado por alguém, o jogador. Agora eu... sou como se fosse esse personagem, porém sem nenhum guia.
      Fiquei durante 30 minutos sentado no chão, dentro de uma das cabines do banheiro. Fiquei apenas pensando. Pensando e tentando lembrar de alguma coisa. Qualquer coisa, qualquer pista de quem eu era. Tudo o que eu sabia até aquele momento, era que eu trabalhava em um escritório de alguma coisa, que eu era um funcionário de escala mediana, que eu era nova-iorquino, e que tinha 28 anos de idade. De repente senti algo vibrar no bolso da minha calça. Logo vi que era um celular. O peguei e atendi:
      - Alô?
      - James? Sou eu, Josh. Cara você bem? Já faz meia hora que você no banheiro! Ou você não mais no banheiro?
      Josh. Era a mesma voz do homem que estava rindo da minha cara quando acordei. Logo deduzi que era ele que estava me ligando.
      - Ah... eu bem. Já voltando...
      - Hunf... ok. Já tava ficando preocupado, cara! Volta logo, falou!
      'Tec. Tu, tu, tu...'
      Assim que o Josh desligou, eu fechei o celular e guardei novamente no bolso. Respirei fundo e me levantei. Saí da cabine e fui lavar o rosto. Me aproximei da pia, abri a torneira, enchi minhas mãos de água e me curvei para molhar meu rosto. Fiquei um tempo de olhos fechados, apenas sentindo o frescor da água no rosto. Aquilo relaxava um pouco, mas não me ajudava a lembrar de nada. Logo, fechei a torneira e me levantei para me olhar no espelho. Nesse momento vi uma sombra escura com uma forma estranha logo atrás de mim, e antes que eu pudesse me virar para ver quem ou o que era, perdi a consciência e desmaiei.



Próximo Capítulo: Capítulo 1 - Memórias
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segunda-feira, 7 de maio de 2012

Doce Outono

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      Quieto, tranquilo, discreto, melancólico, relaxante, frio e aconchegante... este é o outono. Uma estação que apenas intermedeia o fim do verão e o começo do inverno. Uma estação coadjuvante, mas de uma importância discreta e significativa.
      Minha estação favorita.
      O ar gelado, o céu cinzento, as folhas alaranjadas, o cheiro fresco do frio, a fumaça que sai da boca quando expiramos, a neblina que cobre as ruas de manhã... são os pequenos detalhes que fazem essa estação ser tão incrível.
      Café, livros, cama, cobertor, meias, filmes... o outono é uma época de grandes reflexões, pensamentos, ideias e questionamentos sobre a vida, uma época para passar mais tempo consigo mesmo, encontrando suas qualidades e defeitos, uma época para aprumar-se.
      Se eu fosse escolher a estação do ano que mais se parecesse comigo, com certeza seria o outono. Pois ao contrário do verão, que é época de agitação, bagunça e extroversão, o outono, para mim, é uma época mais tranquila, organizada e solitária. E também não é igual ao inverno, que é mais tenso, indeciso e íntimo e nem igual a primavera, que é alegre, infantil e calorosa.
      É uma época de poucas lembranças, mas as poucas que se adquirem, são especiais e eternas.

Outono, doce outono, guardarei para sempre as lindas lembranças que ganhei de ti.

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Sufocante Vida

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      Ela se sentia sozinha. Por mais que tivesse amigos e pessoas que a amassem muito, Juliet não se sentia completa em estar ali. Ela sentia que estava muito limitada, e que algo mais além deveria existir para seus horizontes, mas não sabia o que era. Mesmo acreditando fortemente em sua religião, aquilo também não era suficiente. Não tinha do que reclamar, sabia disso, tinha uma boa casa, uma boa família, bons amigos e tinha uma vida confortável. Porém algo a intrigava naquela tarde de sexta-feira.
      A vida de Juliet não era perfeita para que pudesse reclamar que era uma vida perfeita demais, e nem era muito ruim para que pudesse reclamar que era uma vida cheia de problemas. Era uma vida normal. E o normal poderia ser considerado perfeito. Perfeito demais. E ironicamente, uma vida perfeita demais poderia ser um problema, tornando sua vida um pouco ruim. A mulher ficava a filosofar sentada em uma cadeira na varanda, olhando o belo jardim arborizado que possuía.
      Fome, miséria, pobreza, violência... Juliet sabia que haviam muitas pessoas ao redor do mundo que tinham problemas muito piores que o seu, se isso fosse considerado um problema. Sabia que deveria agradecer por levar a vida que levava. Mas sabia que sua vida era apenas mais um nível acima dos que passam fome, depois de infinitos níveis acima do seu, para chegar na superfície daquele mar, que era seu mundo. Era inevitável para aquela mulher não pensar sobre tais coisas, por mais inúteis que pareciam ser. "Talvez... eu não pertença a este mundo... ou é este mundo que não me pertence.", pensou.
      Algo maior deveria estar esperando por ela. Deveria estar esperando por todos. Mas este mundo limitado a deixava sufocada e não lhe permitia enxergar além do horizonte. Logo Juliet iria acabar se sufocando neste mar profundo que a impedia de ir mais além, assim como todos.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

O que é adequado para você?

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Eu me lembro muito bem. É só você tomar uma decisão, tomar uma atitude ou uma opinião diferente do conceito que eles consideram adequado, que eles te julgam. Mas o que é adequado pra você? Você acha que o seu conceito das coisas é o que vale pra todos?

Claro que não.

Pode até valer para a maioria das pessoas, mas nunca será adotado por unanimidade. Aceite isso.
Os diferentes existem porque existem os iguais... ou o melhor... os iguais existem porque existem os diferentes. Se todos continuarem a julgar de forma precipitada uns aos outros, sem ter um conhecimento profundo das coisas... o mundo apenas continuará caindo.



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sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

O Vento e a Árvore

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      Era uma vez, uma grande árvore solitária. Era início de outono e suas folhas estavam começando a secar e a caírem uma por uma ao chão. O tempo passava na velocidade da eternidade para aquela árvore, que mal percebia o mesmo passar, pois tudo era estático, como uma foto. Só quando uma folha caía naturalmente que ela percebia que o tempo não havia parado. Estava se sentindo tão sozinha, que o silêncio era sua única companhia. 
      Em um dia calmo e monótono, de repente a árvore sentia um empurrão de leve, como se algo estivesse passando através dela. A árvore percebeu que suas folhas logo se mexiam e se desgrudavam dela mais rápido. Ficou assustada, o que poderia ser aquilo afinal? O vento. 
      O vento havia chegado e se apresentado de uma maneira um pouco agitada, mas não queria assustar ninguém. Ele ficou mais suave, e agora se tornara uma leve e fresca brisa. A árvore se sentiu mais calma e aceitou a vinda do recém chegado. O vento disse que se sentia solitário porque ninguém o notava apesar de mover as coisas, era silencioso e sem forma, e também invisível, apenas se movia aleatoriamente. A árvore disse que se sentia solitária porque era estática e sem graça, e ninguém dava importância. Tanto a árvore como o vento, agora estavam fazendo companhia um ao outro. Logo ambos decidiram unir suas qualidades e se tornaram grandes amigos. 
      O vento ajudava a árvore a espalhar suas flores e seu aroma pelo lugar, fazendo suas flores e folhas flutuarem no ar, a deixando bela e dançante. Esta ajudava o vento a não ser mais 'invisível', suas folhas faziam com que o vento pudesse 'cantar', se tornando mais radiante.
      Um espetáculo simples entre dançarinos e cantores... um dependendo do outro para serem o que realmente são.



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sábado, 17 de dezembro de 2011

Acima do Céu...

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... Existe um mundo de liberdade.

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sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Um Idiota

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O que eu estou fazendo aqui?
      Era uma pergunta que intrigava aquele homem. Havia acordado normalmente, tomado seu café, feito sua caminhada diária, havia ido trabalhar, e agora estava ele, dentro do carro estacionado em um estacionamento de um parque. Se perguntando do motivo de estar ali. Porém sua pergunta não era a respeito do porque estar naquele estacionamento, e sim, do porque estar vivendo aquela vida.
      Só havia percebido de que não se lembrava de nada, no final daquele dia. Era como se inconscientemente soubesse o que fazer, como se a rotina tivesse tomado conta de sua inconsciência. O problema é que não sabia se aquela rotina era realmente sua, para que pudesse fazer tudo, mesmo sem lembrar de nada, ou se era a rotina de outra pessoa, e que por algum motivo estava vivenciando aquilo. Uma grande confusão começou a surgir em sua cabeça. Começou a achar que poderia ser um louco, tendo idéias malucas sobre sua identidade. Decidiu sair do carro para caminhar no parque para espairecer as idéias e tentar se lembrar de alguma coisa.
      No parque o homem percebia o quão belo era o fim de tarde naquele lugar. As árvores com folhas verdes e algumas em tom amarelado, combinavam com o começo do outono. O ar estava fresco, levemente gelado e o sol que ainda iluminava o céu, refletia um tom alaranjado. O homem via tudo aquilo e era como se nunca tivesse visto tal coisa. 


      O mesmo logo encontrava uma árvore no meio de um campo aberto, e sentava-se no gramado, debaixo daquela árvore, encostando suas costas na mesma, dando um suspiro se sentindo um pouco cansado. Fechava os olhos e escutava o barulho relaxante das folhas se moverem com a brisa, sentia o cheiro fresco do outono, a brisa passava suavemente em seu rosto. Tudo aquilo parecia ser novo. Quando abria os olhos, todas as lembranças voltavam.
      O homem logo havia percebido que não havia se esquecido de nada, absolutamente nada, na verdade. Era ele mesmo que havia sido esquecido pelas suas lembranças, afinal, elas não importavam mais para ele. Estava tão acomodado com sua rotina, que suas lembranças não fariam diferença se fossem embora. Ficava espantado ao perceber isso. Como havia deixado se acomodar tanto, para que não percebesse mais quem realmente era e o que estava fazendo? Se perguntava. O homem então se levantava, limpava as folhas que estavam em sua roupa e olhava para frente, para o pôr do sol, e sorria.
"Estou apenas deixando de ser um idiota." Respondia.


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A Incompreensível Incógnita

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      Naquele lugar, acreditava-se que existia algo que fluía pela natureza, algo que podia sentir a energia dos seres a sua volta, algo que estava constituído em tudo e que era capaz de influir no espaço, tempo e eventos, mesmo que fosse invisível, intocável, imaterial, incompreensível. Em outros lugares chamavam esse algo de Deus, outros de Allah, outros de Guaraci... todos tinham um nome para tentar individualizar esse algo, que era difícil de definir ao certo se possuía alguma individualidade ou se era tudo e todos, ou simplesmente era nada. 
      Naquele lugar, ninguém louvava essa existência, ninguém rezava e pedia coisas, ninguém pagava promessas, ninguém precisava fazer alguma coisa para acreditar. Apenas acreditavam.
      Eram as árvores, eram os rios, eram as nuvens, eram os animais, eram as pessoas, eram as construções... tudo. Além do que era material, esse algo estava presente nas 'almas', nos pensamentos, na existência do que não existia, nos eventos e também no tempo. Algo muito além da capacidade de compreensão de um humano, ou talvez algo tão simples, que humanos, com sua complexidade, não fossem capazes de entender. Esse algo era simplesmente uma incógnita.
      Os eventos estavam interligados, delimitados pelo espaço e tempo, seus componentes agiam de forma em que, no final, houvesse uma razão ou um resultado que tudo fizesse sentido para aquele determinado evento. O algo estava onipresente, a 'incógnita', na visão daqueles que não podiam compreender, seguia o fluxo, ou melhor, guiava o fluxo das coisas.
      Todos daquele lugar apenas viviam suas vidas, interagindo com a natureza em volta, com os outros seres presentes, com o espaço e tempo. E a 'incógnita' apenas continuava a fluir.
      

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quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Volte, e me encontre de novo.

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      Eu sentia um vazio no coração. Parecia que estava faltando algo em minha vida. E quando eu já desistia de ir em busca do que me faltava... o vazio era finalmente preenchido.
      Ela era a formosidade mais encantadora que poderia existir. Senti que ela era o que me faltava. Quando chegou em casa, era tão pequena, tímida, parecia ser frágil e despertava um grande desejo nas pessoas de quererem cuidar dela. Não tinha mais que um mês de vida. Invocada, ficava quieta, apenas observando o novo lar e sua nova família. Seus olhos castanhos e redondos eram graciosos e ao mesmo tempo marcantes, sua pelagem era em um leve tom champanhe e seus fios eram ondulados e macios. A princípio, antes mesmo dela chegar, queríamos nomeá-la de Suri. Porém ela já chegava com um nome. Jully.
      Seu primeiro dia em seu novo lar foi estranho. Todas aquelas pessoas, todos aqueles cômodos, todos aqueles brinquedos... tudo era diferente e novo. Talvez sentia um certo medo e insegurança, mas isso não a impedia de tentar se adaptar ao novo lugar. Com muita paciência, eu e minha irmã fomos tentando conquistar sua confiança. E no final do primeiro dia, ela já não ficava mais escondida debaixo do sofá. A noite, era levada para dormir junto conosco, em nossos colchões. Era muito pequena e todos achavam melhor nas primeiras noites, não deixá-la sozinha.
      Uma coisa quente e molhada podia se sentir naquele colchão na manhã seguinte. Mas que beleza... Jully havia feito xixi no meu colchão! Todos ficavam frustrados com aquilo, certamente teríamos que educar aquela pequenina. As refeições eram simples, simples demais, apenas leite e quatro grãos de ração, mas era indicação de sua antiga família. Porém isso não durava muito tempo, logo sua refeição foi sendo cada vez mais aprimorada e ficando cada vez mais saborosa. Afinal, ninguém gosta de comer algo sem sabor.
      Nos primeiros meses aquela pequenina foi revelando uma personalidade agitada, arisca, e dependendo até irritante. Não podia ver alguém andando, que já corria atrás para morder os sapatos da pessoa. Não podia receber um carinho na cabeça, que já queria morder a mão da pessoa. Não podia ver uma cadeira de madeira, que simplesmente a devorava. Não se sabe quanta coisa já foi destruída por aquela criaturinha. A almofada que usava como cama, simplesmente fora destroçada... as roupas para o frio, foram despedaçadas, nem mesmo servindo para ser pano de chão... os brinquedos de borracha pareciam brinquedos deformados, já que eram destruídos por ela... os móveis da casa estavam quase todos mordidos e riscados... Jully realmente era muito agitada em sua infância.
      Os anos foram passando, e Jully foi crescendo. Fugiu de casa, quase engravidou, aprendeu truques de adestramento, ficou com um berne morto nas costas durante 3 anos, só foi ser castrada aos 10 anos de idade, enfim, inúmeras coisas aconteceram. E a cada acontecimento, Jully se tornava cada vez mais sábia. Sua personalidade definitiva não era uma cachorra arisca, irritante, agitada e destruidora de móveis. E sim uma cachorra calma, paciente, obediente, carinhosa, boazinha, boba, folgada, preguiçosa, gulosa, enfim... Jully era Jully.
      Na manhã do dia 8 de outubro de 2011, aproximadamente as 7hr da manhã, Jully falecia em sua casa, ao lado da vovó que cuidou dela durante toda sua vida. Não se sabe o que estava sentindo no leito de sua morte, mas ao menos não estava sozinha quando deixou este mundo. Ninguém gostaria de morrer sozinho. Ao menos um adeus, todos gostariam de dar, e assim foi com Jully. Fico mais tranquila com isso.
      Sua morte fará com que sua vida fique apenas nas lembranças. Por isso espero encontrá-la novamente algum dia, quando ela renascer. Todos esperam nunca mais renascerem pois isso indica que já atingiram sua iluminação... porém eu quero que ela volte, que ela volte para este mundo, que renasça e volte para mim. Pode parecer um pouco egoísta... mas um vazio ficará em meu coração enquanto não encontrá-la novamente. Quero poder viver ao seu lado novamente, não quero perdê-la para sempre. Então por favor, volte, Jully. Volte e me encontre de novo.

Jully - 28/08/2000 - 08/10/2011

Estarei esperando.


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quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Mudar o Mundo

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      O desejo de mudar o mundo era enorme. Idéias malucas e incríveis se formavam dentro daquela mente criativa. Porém, como aquela criança poderia mudar o mundo? Apenas suas intenções já bastavam para um começo de uma mudança. Tanta injustiça, tanta miséria, tantos problemas. Realmente havia muito o que se fazer.
      Começou bem devagar, aos poucos. O início era o planejamento e teria que ser bem feito, pois era a partir dali que todo o resto seria construído. Mesmo sem a ajuda de ninguém, aquela criança ainda tinha fé de que poderia mudar o mundo, mesmo que fosse bem pouco, mas mudá-lo de alguma forma.
      Com o planejamento terminado e revisado, a pequena criança colocou o plano em prática. Começava pelas pessoas. Elas tinham que mudar, para que uma mudança pudesse acontecer de verdade. Mesmo sendo poucas no começo, a criança ficou extremamente animada, pois agora sabia que não estava sozinha. As pessoas começaram a ajudar a limpar as ruas, a respeitar uns aos outros, a fazer doações para aqueles que precisavam, a respeitar as leis, a agir com dignidade, conseqüentemente a se tornarem mais felizes. 
      O número de pessoas foi aumentando. Aos poucos o bairro foi melhorando. Logo se tornou o melhor bairro da cidade, com mais igualdade em todos os sentidos, nenhum crime, natureza exuberante sem ser prejudicada pela população local, pessoas, animais, patrimônios, todos respeitando e cuidando da existência de cada um. Aquilo se espalhou pela cidade rapidamente. A criança agora tinha ajuda de pessoas influentes na cidade e região, e suas idéias seriam levadas para mais lugares.
      Problemas com a fome, miséria, entre outros foram aos poucos sendo dissolvidos. Era uma grande mudança acontecendo. Da cidade fora para a região, da região fora para todo o estado, do estado fora para todo o país, do país se espalhou para todo o continente e do continente se espalhou para todos os outros continentes do mundo. Aquela criança não poderia estar mais feliz. Um mundo sem necessidade de guerras, a fome não existia mais, religiões respeitavam umas as outras compartilhando seus ideais, culturas e tradições educavam diferentes povos pelo mundo, a natureza era respeitada pois todos dependiam dela para viver, todos os seres, vivos ou não, agora existiam de forma harmoniosa e respeitosa. Tudo a partir de uma mente justa, pura e criativa de uma criança.
      Infelizmente, esse mundo perfeito não durou muito. Pessoas sempre queriam mais. A sede de justiça perde para a sede de ter mais. Injustiças começaram a aparecer novamente, pessoas mais favorecidas que as outras começaram a aparecer, culturas e religiões começaram a discriminar umas as outras, a fome a e miséria voltaram. Aquela criança viu seu mundo desmoronar novamente. Ao abrir os olhos, viu seu mundo ser destruído pela realidade.


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sábado, 2 de julho de 2011

O Solitário Verde

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Caí... e estou aqui, sozinho.


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Meu brinquedo favorito

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Qual seu brinquedo favorito?
      Tudo começou quando eu tinha 6 anos, que foi quando começou a distribuição dos bichinhos da coleção da Parmalat. O primeiro que ganhei, foi um rinoceronte, junto com minha irmã, que havia pegado uma vaquinha. Dei o nome de Reno Renociro para o rinoceronte. Minha irmã havia nomeado a vaquinha de Mimosa. Estávamos muito felizes em ter ganhado aqueles bichinhos, e passávamos horas e horas todos os dias brincando com eles.
      Eram muitos bichinhos. E queríamos todos, claro. Na segunda vez, escolhi um porquinho cor de rosa. Haviam vários porquinhos cor de rosa para escolher, porém escolhi justo 'aquele'. Ele tinha a cabeça mais triangular do que do resto dos porquinhos, seus olhos pareciam menores do que dos outros, sua pelugem não era brilhante como a dos outros, ele era um pouco desbotado também. Por alguma razão escolhi o não perfeito. Minha irmã havia escolhido um carneirinho, que não me recordo o nome, mas ela havia decidido que seria uma carneirinha. Demorei dois dias para escolher um nome para o porquinho cor de rosa. Minha inspiração foi o seriado 'Família Dinossauro', na qual me lembrei que o Baby era cor de rosa, quase do mesmo tom do meu porquinho, já que era meio desbotado... então o nomeei de Baby. Porém, como o Reno tinha um sobrenome, achei que o Baby também merecia ter. Então levei mais um dia para nomear meu porquinho. Sabe aquela música da Eliana, "Pop Pop"? Então... depois de muito pensar, e inspirada nessa música, havia chegado a uma conclusão. Baby Popinho. Ridículo. Mas naquela época, achei a ideia maravilhosa.
      Comecei a deixar mais de lado o Reno, e passei a dar mais atenção ao Baby. Eu me sentia culpada, pois eu achava que deveria gostar mais do Reno, já que ele fora o primeiro que eu havia ganhado. Com o tempo, mais bichinhos da coleção ganhávamos, mas eu sempre preferia o Baby. Até que percebi, que Baby Popinho, era meu brinquedo favorito.
      Todos os bichinhos da coleção seguravam uma caixinha de leite... só que eu e minha irmã simplesmente tiramos as caixinhas, e ficamos apenas com os bichinhos.
      Me lembro de alguns 'amiguinhos' do Baby. Além do Reno, que era um grande amigo do Baby, da Mimosa, que era a que ajudava todos, e da carneirinha, que era a que gostava do Baby, me lembro que tínhamos o gatinho branco, que eu e minha irmã nomeamos de Mimi, que era a metidinha da turma; tínhamos o urso polar que se chamava Roger Computer e era mulherengo; tínhamos o leão marinho que se chamava Leôncio, que era preguiçoso; também tínhamos um outro porquinho cor de rosa, que era da minha irmã, que não me recordo do nome, mas era a irmã mais nova do Baby, que era a bravinha da turma; e tínhamos um cachorro de pelúcia marrom que não era da coleção, que se chamava Toby, mas fazia parte da turma. Não posso esquecer do Paninho Verninho, que era de uma grande amiga de infância e melhor amigo do Baby. Ele não era da coleção dos bichinhos da Parmalat e muito menos era um bichinho de pelúcia. Era uma toalhinha pequena de rosto, aveludada, de um vermelho forte, que era enrolada até que ficasse como um tubo, e então era amarrada com um laço um pouco acima do meio, para que fosse a divisão da cabeça com o corpo, e tinha até cabelinho, já que nas extremidades da toalha tinha o acabamento desfiado do pano. Baby e Paninho sempre se metiam em grandes aventuras pelo mundo, junto com sua turma.
      Aos 12 anos, tive que abandonar todos eles. O primeiro ataque de asma havia acontecido, e o médico havia dito para retirar toda fonte de poeira, ácaros e etc, tudo o que poderia causar uma alergia. Eu ainda brincava sim com brinquedos e pelúcias aos 12 anos. E tirar a minha brincadeira favorita, foi triste. Fizemos uma limpeza geral nessa época, e com isso alguns membros da turminha do Baby, foram doados. Só não deixei levar o Baby.
      Ficaram um bom tempo guardados na gaveta debaixo da minha cama. Acho que só aos 16 anos, que foi quando os ataques estavam mais controlados e quando havíamos nos mudado, que pude tirar todos da gaveta. No momento em que vi o Baby novamente, o abracei. Não por muito tempo, afinal ele estava cheirando a mofo... mas o lavei bem e logo voltou ao normal.
      Eu já não brincava mais com ele, mas o que importa é que ele estava de volta.

      Hoje, depois de 14 anos desde que o conheci, ele fica na minha estante, junto com seus novos amigos sapos de pelúcia e com o antigo amigo Toby. Aquele porquinho de pelúcia desbotado, com cabeça triangular, de olhos pequenos... tão especial para mim. Olho para ele e lembro dos bons momentos, do quanto ele fez parte da minha vida, do quanto ele me ajudou a criar um mundo lindamente imaginário, apesar de ser apenas um brinquedo de criança. Todos os dias posso vê-lo ali... e sorrir.



Recordar da boa época, da boa e inocente época em que a humanidade ainda poderia ser salva pela criatividade de uma criança.


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