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segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

O Baú Trancado

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      Victoria vivia dentro de um baú. E este baú era trancado e ninguém tinha a chave para abri-lo, a chave estava perdida em algum lugar por aí. Porém Victoria não queria que abrissem seu baú, sua casa, seu mundo. Pois não estava pronta para sair. Apesar de estar aprisionada lá dentro, ela se sentia livre. Era livre para ser ela mesma em um mundo em que ela mesma criou. Ela tinha medo de sair, pois sabia que lá fora, teria que abrir mão de ser ela mesma, abrir mão de seu mundo, para poder sobreviver fora de seu baú.
      Em um belo dia, Victoria acordou com um som no que parecia serem chaves se mexendo. O som parecia cada vez mais próximo e Victoria logo se levantou da cama e encostou o ouvido na parede do baú para escutar melhor. De repente o som parou.

      - Ué? O que aconteceu? - Perguntou para si mesma, curiosa.

      E não demorou muito para o som voltar, e dessa vez estava bem próximo. Logo a fechadura começou a ser destrancada. Victoria olhou desesperadamente para tal fechadura, percebeu que alguém estava destrancando o baú. Ela olhou em volta à procura de alguma coisa que pudesse ajudá-la a evitar de abrirem sua casa, mas sem nada para ajudá-la, seu baú fora destrancado.
      Ela olhou em direção a abertura e viu uma sombra contra a luz, parecia ser um rapaz. Ele então simplesmente pulou para dentro do baú de Victória, e com um sorriso no rosto disse, olhando para ela:

      - Olá! Me chamo Tyler! Desculpe invadir de repente o seu baú... mas é que eu estava muito curioso para ver quem estava aqui dentro, já que eu tinha a chave.

      - Oh... er... oi Tyler, eu me chamo Victoria... - Disse a jovem moça, ainda um pouco perdida com a nova situação em que se encontrava.

      - Muito prazer, Victoria! E nossa, você é linda!

      Nesse momento Vitoria se sentiu lisonjeada e corou seu rosto. Mas ela tentou continuar a ser racional, e ainda séria, perguntou:

      - E como conseguiu a chave?

      - Bom... eu encontrei ela perdida por aí, e daí depois encontrei esse baú, daí fui tentar abrir e te encontrei!

      - Ah... - Disse Victoria, não acreditando muito naquilo.

      Tyler, simpático, sorriu e estendeu a mão para a jovem e disse:

      - Venha! Venha conhecer o mundo lá fora! Você vai adorar!

      Victoria sentiu medo, mas ao mesmo tempo sentiu uma grande curiosidade e vontade de explorar mundo a fora. Então ela respirou fundo e aceitou o convite, segurou na mão do garoto e juntos saíram do baú.
      Tyler mostrou um mundo totalmente diferente do mundo de Victoria. E as novidades a deixavam encantada, era um novo mundo, uma nova vida. E Tyler a deixava encantada também, por lhe mostrar aquele belo mundo.
      Passou bastante tempo do lado de fora, aprendendo sobre várias coisas, conhecendo pessoas novas, começou a ter novos gostos, etc. Tudo parecia ser maravilhoso, ao contrário do que ela pensava enquanto estava presa. Porém... esse mundo novo fez com que Victoria mudasse. Ela não sabia se tinha mudado para melhor ou pior. Ficou confusa, mas deixou isso pra lá e continuou a explorar o mundo novo.
      Quando Victoria voltou para sua casa, viu que não havia mais nada. Pois havia deixado seu baú destrancado. Destrancado por causa que Tyler estava com a chave. Haviam roubado suas coisas. Ela ficou desesperada, e logo pensou em voltar para a casa de Tyler para pedir ajuda.
      Porém durante o caminho, ela viu Tyler e seus amigos carregarem algumas coisas, levando para um carro. Eram as suas coisas. Victoria ficou chocada.
      "Tyler... por que?", questionou a inocente garota, com pequenas lágrimas escorrendo em seu rosto, enquanto via Tyler levar todas as suas coisas.
      Ela voltou correndo para o seu baú. No caminho tropeçou em algo jogado no chão. E ao ver o que era, ficou surpresa. Era sua chave. Victoria olhou chocada ao encontrá-la jogada ali de forma grotesca e quase quebrada, e a pegou rapidamente, entrou em sua casa e trancou-a novamente. A jovem se sentou no chão,  enquanto estava encostada na porta, segurou a chave com ambas as mãos e trouxe para perto do peito, e começou a chorar.
      Victoria então decidiu que a partir daquele momento, jamais destrancaria seu baú novamente. Jamais.

Se o baú for seu coração...

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segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Um Louco - Capítulo 1: Memórias

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Capítulo anterior: Prólogo

       - Não duvido nada de que daqui a alguns anos as pessoas serão capazes de controlar o cérebro de outras pessoas... - Disse uma adolescente de 15 anos de cabelo loiro comprido e de olhos esverdeados, usava óculos e que estava sentada na mesa da cozinha, tomando o café da manhã.
      - Por que acha isso? - Perguntou o homem de 28 anos, chamado James, que estava na frente do fogão fritando um ovo com bacon, olhando para sua sobrinha de 15 anos.
      - Oras, tio Jay! Se já tem cientistas que conseguiram reproduzir as imagens que um cérebro reproduziu e cientistas que já conseguiram selecionar memórias específicas do cérebro e apagá-las do mesmo... acha mesmo que eles não vão dar um jeito de criar memórias falsas e inserir em nossos cérebros? Ou quem sabe vão dar um jeito de controlar as pessoas por completo através do cérebro!
      James ficou olhando um tempo para a garota um pouco surpreso e confuso com aquela visão de futuro, mas logo voltou a olhar o ovo com bacon na frigideira e disse:
      - Você anda assistindo muito Sci-Fi, Sky...
      Skylar, a adolescente, deu um suspiro, como se tivesse ficado impaciente e disse um pouco chateada:
      - Até você, tio Jay! Todo mundo me fala a mesma coisa... pensam que sou louca...
      James olhou para a sobrinha e se sentiu um pouco arrependido em ter dito tal coisa, e logo ele tentou se desculpar:
      - Ahn... é que você é muito mais inteligente que a gente! Sério! Digo... você tem umas idéias muito bacanas, mas os outros não entendem porque eles não tem uma mente muito evoluída... - James logo deu um sorriso meio forçado no final, tentando ser simpático.
      Skylar apenas olhou para o tio com uma cara antipática e se levantou da cadeira, se virou de costas e saiu da cozinha. James se sentiu ignorado e um pouco culpado por ter deixado sua sobrinha chateada. Ele apenas suspirou e voltou a olhar a frigideira:
      - Aiai... adolescentes...
       Skylar pegou seu skate que estava encostado perto da porta da sala e saiu da casa. James apenas olhou para a janela e viu sua rebelde sobrinha passar pela rua, sobre seu skate, e lhe mostrar o dedo do meio. James se sentiu ofendido com aquilo, mas já não era a primeira vez que ela fazia isso. - Skylar era a filha de seu irmão mais velho, Kevin. Kevin e sua mulher tinham morrido em um acidente de carro a um ano atrás quando Skylar tinha 14 anos de idade. E foi nesse ano que a vida de James mudou completamente. Ele estava acostumado a levar uma vida de solteiro cheia de festas e belas mulheres, e quando Skylar entrou para sua vida, tudo isso foi embora. E para piorar a situação, ele pegou sua sobrinha bem na época da puberdade. O ano passado foi realmente difícil para James. Skylar estava se tornando cada vez mais rebelde, e com a morte repentina de seus pais, sua revolta era ainda maior. Mesmo que já havia se passado um ano, Skylar não se conformava com a morte deles. - James pegou a frigideira e colocou dentro de seu prato, os ovos com bacon e disse para si mesmo, se lamentando:
      - Kevin, Kevin... seu desgraçado.

---

       Era sexta-feira e James já estava terminando seu expediente. Josh, que estava na cabine ao lado, logo colocou a cabeça para fora da mesma e olhou para James e o chamou:
      - Hey, James!
      - Que é, Josh... ocupado aqui... - Disse James enquanto terminava de digitar algumas coisas do trabalho.
      - Hoje no Kim vai ter uma festa de uns universitários que estão se formando, e vai um monte de universitárias gostosas lá... nós vamos, certo? - Disse Josh, com um sorriso malicioso e irritante.
      - Cara... - James se virou com a cadeira giratória e olhou para Josh. - cansado. A Skylar vai levar umas amigas dela pra dormir em casa, e eu não quero que façam bagunça... e me pediram pra comprar umas coisas pra elas no supermercado também... então aproveite a festa sozinho. - Logo James retornou a fazer o que estava fazendo.
      Josh ficou um tanto inconformado com aquela resposta desanimada e séria do amigo e disse:
      - Qual é, cara! Vai dar uma de babá agora? Haha, fala sério!
      - Pois é... o Kevin é um desgraçado por ter morrido, e agora eu tenho que cuidar das coisas dele... e 'essas coisas' seriam basicamente a Sky... e a Sky é uma humana e minha sobrinha, então não posso abandoná-la ou dar ela pra alguém... - Disse James meio irônico, enquanto digitava.
      Josh ficou um tempo sem saber o que falar. O homem de cabelo escuro e olhos castanhos se levantou e apoiou sua mão no ombro de James e disse, um pouco chateado por seu amigo não poder acompanhá-lo na festa:
      - Bom... deixa pra próxima então, né? Boa sexta pra você, cara. - Disse Josh, dando uns leves tapinhas no ombro.
      - Valeu, cara. Boa festa no Kim. - Disse James, fazendo um jóia com a mão.
      Josh então saiu da cabine e foi embora. Depois de um tempo, James terminou o serviço e também foi embora.
      No supermercado, James comprava biscoitos, refrigerante, salgadinhos e outras porcarias que Skylar e suas amigas haviam pedido. Ao virar uma quina daquele corredor de prateleiras, a lâmpada do teto que estava sobre ele simplesmente apagou. James olhou para cima e nesse momento sentiu um grande tontura. Sua visão ficou turva e tudo a sua volta começou a perder a forma, as cores pareciam se misturar umas com as outras, tudo perdeu o sentido, era como se ele estivesse girando em alta velocidade sem parar... até que alguém segurou em seus dois ombros e o fez voltar em si.
      - James? Tu bem? - Perguntou Josh, que estava a sua frente, o olhando um pouco preocupado.
      James ainda estava um pouco desnorteado depois daquela intensa tontura olhou para seu amigo e antes de responder, olhou em volta e se tocou de que estava em outro lugar... não mais no supermercado, e sim no Kim's Bar. Extremamente confuso, James disse, enquanto olhava em volta:
      - Como assim?? Como eu vim parar aqui? - Então ele olhou de volta para Josh, um tanto desesperado. - Eu estava no supermercado, por que estou no Kim?? O que houve?
      - O que?? Do que falando, Jay? - Perguntou Josh, confuso, tirando as mãos dos ombros de James as levando para cima, erguendo os ombros, como se não estivesse entendendo nada.
      James ficou olhando Josh durante um tempo, confuso por seu amigo não saber da resposta, pois ele esperava que ele pudesse saber o que tinha acontecido. Ele olhou para baixo, tentando entender a situação. Josh logo disse:
      - Você tava aí parado, olhando pro nada... eu tava te chamando faz tempo... e você parecia que estava em outro lugar, realmente... no que você tava pensando hein? Você parecia que tava no mundo da lua, cara, haha!
      - Eu... estava aqui faz tempo? - Perguntou James olhando para Josh, ficando ainda mais confuso.
      - Sim, você veio comigo, logo depois do trampo... não lembra?
      James contrauiu suas sobrancelhas, como se não estivesse entendendo absolutamente nada. Olhou em volta e viu várias garotas bonitas, vários jovens, bebidas, pessoas dançando e etc. Ele voltou a olhar Josh e disse confuso:
      - Eu... vou ligar pra Sky... ela me disse que umas amigas iam dormir em casa...
      - Ok. - Disse Josh, erguendo os ombros.
      James então pegou o celular e ligou para sua casa. Esperou um tempo até que Skylar atendeu:
      - Alô? - Disse Sky, com uma voz rouca, de como quem acabou de acordar.
      - Sky? É o tio Jay... você está com suas amigas aí?
      - Que? Estou com a Lucy, a vizinha... por que minhas amigas estariam aqui? - Perguntou Sky um tanto confusa.
      - Ahn... - Confuso, james continuou. - É que você tinha me dito que hoje umas amigas suas iriam dormir em casa... e tinha me pedido pra eu ir comprar algumas coisas no supermercado e...
      - Você bêbado, tio? Do que falando? Sabia que você me acordou? Aff... você me disse que tinha uma festa pra ir hoje e por isso a Lucy ia ficar aqui em casa pra cuidar de mim... ou o melhor... pra me vigiar pra eu não fazer nada de errado...
      - Eu... disse isso...? - Perguntou James, ficando cada vez mais confuso.
      - Disse, tio! Agora deixe eu dormir que morrendo de sono... - Disse Sky, um tanto impaciente.
      - Ah, ok... desculpe...
      - Tchau.
      - Tcha-
      'Tu, tu, tu...' - Skylar desligou antes mesmo de James terminar de falar.
      James apenas olhou para seu prórpio celular, ficando um pouco chateado com o comportamento de sua sobrinha, e apenas guardou o celular de volta no bolso. Josh logo perguntou:
      - E aí?
      - Ahn... ela com a Lucy só... - Respondeu James confuso.
      - Cara, você deve ter tomado alguma coisa muito louca pra ter esquecido tudo né? Vamo chapar o coco, cara! Vamooo, uhuull! - Disse Josh, empurrando James para o meio do bar, onde havia uma pista de dança lotada de pessoas bonitas e jovens.
      James imaginou que ele pudesse estar bêbado e por isso nada fazia sentido, então ele apenas tratou de se animar e curtir a festa.

---

      Em uma tela de computador: 

      < excutar_usa_nyc_892834_75134987917380 >
      < comando_47982 >
      < comando_47982 >< executando >...

      Depois de alguns segundos:

      < excutar_usa_nyc_892834_75134987917380 >
      < comando_47982 >
      < ERROR > "Conflito de memórias"
      < ERROR > "Conflito de memórias"
      < ERROR > "Conflito de memórias" 
      < ERROR > "Conflito de memórias"
      ...

      E depois de um minuto, parecia estar digitando algo: 

      ...
      < ERROR > "Conflito de memórias"
      < ERROR > "Conflito de memórias"
      < ERROR > "Conflito de memórias"
      < ERROR > "Conflito de memórias" 
      < comando_48948_get_drunk > "Reajuste de memórias"
      < comando_48948_get_drunk >< executando >...

      E segundos depois: 

      ...
      < ERROR > "Conflito de memórias"
      < ERROR > "Conflito de memórias"
      < ERROR > "Conflito de memórias"
      < ERROR > "Conflito de memórias" 
      < comando_48948_get_drunk > "Reajuste de memórias"
      < comando_48948_get_drunk >< executado >
      < MESSAGE > "Memórias parcialmente reajustadas"


Continua...
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sábado, 12 de maio de 2012

Um Louco - Prólogo

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      De repente acordei. Estava com a cabeça apoiada sobre uma mesa de escritório, babando sobre o teclado do computador. Ao erguer a cabeça me vi dentro de uma cabine dentre 20 outras cabines daquela sala de uma grande empresa, aí sim percebi que estava dentro de um grande escritório. Na minha frente haviam inúmeros bilhetes colados na parede, ao meu lado apenas escutava o colega discutir com alguém no telefone, do outro lado havia um homem de pé apoiando seus braços sobre o topo da minha cabine, me observando, rindo da minha cara. Eu, ainda confuso e perdido, tentando abrir os olhos devido a forte luminosidade do escritório, perguntei:
      - Que foi?
      - Cara, você tava babando... - Disse o homem ainda rindo.
      Antes de respondê-lo, percebi que não me lembrava de nada. Quem eu era, quem era aquele homem, onde eu estava... simplesmente não sabia o que estava acontecendo. Comecei a me desesperar. Me levantei da cadeira e olhei fixamente para o homem com certo desespero e perguntei:
      - Onde estou?
      Surpreso, o homem olhou para os lados, ficando confuso com minha atitude e depois voltou a me olhar, e respondeu, como se me conhecesse a anos:
      - Tu no trampo, meu chapa! Tu bem?
      Fiquei em silêncio olhando para ele ainda sem entender. Ele continuou a me olhar como se eu fosse louco e disse:
      - James... você bebeu muito ontem?
      Percebi que todos a minha volta me observavam como se minha atitude estivesse sendo realmente estranha naquele momento. 'James'. Talvez esse fosse meu nome. Fiquei ainda mais confuso e imaginei que poderia estar tendo algum tipo de amnésia, então respirei fundo e me acalmei. Logo voltei a olhar o homem e falei:
      - Desculpe... acho que bebi muito... er... onde é mesmo o banheiro?
      - Saindo da sala, no final do corredor a direita... - Respondeu o colega, ainda sem entender minha situação.
      - Ok, obrigado...
      Agradeci e fui até o banheiro masculino.
      Ao entrar, olhei diretamente para o espelho. O homem que vi no reflexo provavelmente era eu. Me aproximei e toquei meu rosto. Cabelos castanhos, olhos azuis, pele pálida. Um cara atraente e bem arrumado. Eu nunca tinha visto aquele rosto antes. Eu não lembrava de mim mesmo.
      Decidi mexer em meus bolsos e logo encontrei uma carteira. A abri e peguei o primeiro documento que vi. Nele tinha uma foto 3x4 do rosto que vi no espelho, o nome, a data de nascimento, o local de nascimento, o nome dos pais e entre outras informações:
Nome: James Tyler
Data de nascimento: 21/04/1984
Local de nascimento: Nova Iorque, NY
      Só li até o local de nascimento. Me perguntei se eu estava em Nova Iorque ou em outra cidade. Ou quem sabe, em outro país. Eu estava confuso. Totalmente perdido. Parecia que eu tinha surgido de repente no mundo e me colocaram para viver, mas não me informaram nada... quase como um jogo do The Sims, onde você monta seu personagem, escolhe se será uma criança, adulto, idoso e joga com ele. A diferença é que no jogo o personagem é guiado por alguém, o jogador. Agora eu... sou como se fosse esse personagem, porém sem nenhum guia.
      Fiquei durante 30 minutos sentado no chão, dentro de uma das cabines do banheiro. Fiquei apenas pensando. Pensando e tentando lembrar de alguma coisa. Qualquer coisa, qualquer pista de quem eu era. Tudo o que eu sabia até aquele momento, era que eu trabalhava em um escritório de alguma coisa, que eu era um funcionário de escala mediana, que eu era nova-iorquino, e que tinha 28 anos de idade. De repente senti algo vibrar no bolso da minha calça. Logo vi que era um celular. O peguei e atendi:
      - Alô?
      - James? Sou eu, Josh. Cara você bem? Já faz meia hora que você no banheiro! Ou você não mais no banheiro?
      Josh. Era a mesma voz do homem que estava rindo da minha cara quando acordei. Logo deduzi que era ele que estava me ligando.
      - Ah... eu bem. Já voltando...
      - Hunf... ok. Já tava ficando preocupado, cara! Volta logo, falou!
      'Tec. Tu, tu, tu...'
      Assim que o Josh desligou, eu fechei o celular e guardei novamente no bolso. Respirei fundo e me levantei. Saí da cabine e fui lavar o rosto. Me aproximei da pia, abri a torneira, enchi minhas mãos de água e me curvei para molhar meu rosto. Fiquei um tempo de olhos fechados, apenas sentindo o frescor da água no rosto. Aquilo relaxava um pouco, mas não me ajudava a lembrar de nada. Logo, fechei a torneira e me levantei para me olhar no espelho. Nesse momento vi uma sombra escura com uma forma estranha logo atrás de mim, e antes que eu pudesse me virar para ver quem ou o que era, perdi a consciência e desmaiei.



Próximo Capítulo: Capítulo 1 - Memórias
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terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Rotina

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      George observava as pessoas. Estava aquele jovem rapaz com seus 26 anos olhando para todos que passavam pela rua da janela de seu apartamento. Ele percebia que todos os dias, as mesmas pessoas, faziam as mesmas coisas... era a rotina. Ele se perguntava se essas pessoas não se questionavam de suas vidas, se realmente valia a pena se sacrificar tanto para ter aquelas vidas monótonas. Ele não entendia a rotina, sempre queria fugir dela, pois sabia que se a deixasse tomar conta de sua vida, ele não viveria por ele mesmo, apenas viveria para seguir o fluxo.
      O rapaz saía de sua casa e entrava nas ruas da cidade. Observava com atenção para as pessoas que ele já havia observado durante um certo tempo. 
      Formigas. As pessoas eram como formigas para ele. E a cidade, o formigueiro. Não é difícil de comparar, há muitas semelhanças. As pessoas seguiam o fluxo, a rotina da cidade... e o fruto do trabalho de cada um, mantinha o enorme formigueiro funcionando.
      George achava engraçado o fato de que as pessoas a um primeiro momento, se sentiam incomodadas pelas pessoas que não seguiam o fluxo corretamente. Claro que criminosos, malucos, bêbados entre outros que fazem mal as pessoas não conta... mas por exemplo, um jovem gótico usando roupas pesadas, cheias de correntes entre outros adereços, incomodava as outras pessoas "normais". Pessoas normais são formigas. Era essa a definição de uma pessoa normal para George.
      Ele voltava para seu apartamento. Deitava no sofá e dormia.
      Ao amanhecer, George acordava. Tomava banho, ia tomar café, depois saía para comprar jornal e dar uma volta na praça, voltava para almoçar, ficava observando as pessoas o dia todo, jantava, tomava banho e ia se deitar. Ele começou a notar que sua vida era uma rotina. Uma vez ou outra mudava essa agenda... mas percebeu que se acomodou e deixou a rotina tomar conta. Segurança. Talvez fosse por isso que as formigas não mudam... se sentem seguras fazendo as mesmas coisas... mudar as deixam inseguras. George agora havia entendido porque a maioria vivia assim. Mas mesmo sabendo disso, o jovem não queria viver assim. Começou a fugir da rotina novamente.
      Acordava, saía de pijamas pela rua, dava uma volta e voltava para casa, tomava café, tomava banho, saía de casa de novo para tocar violão no meio da praça pra ganhar umas gorjetas, ia pescar... enfim, fazia um monte de coisas aleatórias sem seguir um horário. Durante um certo tempo, sempre variando nas suas atividades anti-rotina, isso deu certo. Mas agora sua rotina era essa: fugir dela. Não adianta, quando se acomoda é porque segue uma rotina.
      George se cansava. Cansava de tentar fugir de algo que o perseguia. Se entregava a vida, deixando se levar pelo fluxo, apenas. O que ele não sabia, era que esse fluxo é cheio de surpresas.

A vida é bem monótona. Coisas que as pessoas pensam que são incomuns, na verdade são mais comuns do que se imagina. Amigos bêbados e felizes deitados na grama depois de beberem em um bar, uma mulher pintando um quadro no meio da praça, um rapaz fotografando tudo o que via praticamente, um grupo grande de pessoas fazendo um flash mob ali perto... coisas que não estamos acostumados a presenciar a todo o momento tornam-se coisas incomuns... mas coisas incomuns não quer dizer que são inéditas.
Nada de mais novo parece acontecer. Mas quando menos esperamos, uma caixa de surpresas aparece.

A vida é bem monótona... mas é interessante vivê-la.


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quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Céu

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"Por que não fechar os olhos nesse instante, e lembrar que você é realmente feliz?"
Dizia em voz alta e repetidas vezes aquele velho senhor que estava parado no meio daquela calçada. Algumas pessoas o olhavam achando estranho, outras paravam e ficavam o assistindo, outras ficavam a zombar do velho, e algumas se afastavam pensando que era um louco. Não sabia ao certo o que se passava na cabeça daquele senhor, mas quem parasse e prestasse atenção na sua pergunta e fizesse o que estava dizendo, certamente perceberia de que a vida que levava não era tão ruim assim. 
"Para muitos, a felicidade só é percebida quando vê que os outros estão em situações piores ou inferiores... ao invés de percebê-la assim... por que não fechar os olhos nesse instante, e lembrar que você é realmente feliz?"
Dizia mais uma coisa e no fim repetia sua pergunta. Sempre em voz alta, para que todos que estivessem passando pudessem escutá-lo.
"Algumas pessoas acham que se tornam felizes através da infelicidade dos outros... mas isso jamais será a verdadeira felicidade... ao invés disso... por que não fechar os olhos nesse instante, e lembrar que você é realmente feliz?"
Aos poucos mais e mais pessoas se aglomeravam em volta daquele velho senhor, pois as pessoas estavam começando a se identificar com o que ele dizia, e queriam continuar a escutá-lo, pois de alguma forma tais palavras confortavam as pessoas e as faziam perceber que a felicidade estava dentro de cada uma delas.
"Todos querem encontrar a felicidade...e todos a encontram, mas nunca percebem, pois nesse mundo as coisas perdem o valor muito rápido... é uma pena. A única coisa a fazer é perceber que você é feliz..." 
O velho senhor parava e ficava olhando distraído para o céu azul, com lindas nuvens grandes perto das montanhas, fazendo parecer que eram ilhas voadoras. As pessoas ficavam confusas e então olhavam na mesma direção em que ele olhava, era algo que sempre esteve ali, mas que as pessoas jamais perceberam sua presença. Ficavam encantadas com o céu iluminado, sorrisos saíam de suas faces. Assim como o céu, a felicidade sempre esteve por perto... são as pessoas que não a percebem... então...
Porque não fechar os olhos nesse instante, e lembrar que você... é realmente feliz?



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