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segunda-feira, 7 de maio de 2012

Doce Outono

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      Quieto, tranquilo, discreto, melancólico, relaxante, frio e aconchegante... este é o outono. Uma estação que apenas intermedeia o fim do verão e o começo do inverno. Uma estação coadjuvante, mas de uma importância discreta e significativa.
      Minha estação favorita.
      O ar gelado, o céu cinzento, as folhas alaranjadas, o cheiro fresco do frio, a fumaça que sai da boca quando expiramos, a neblina que cobre as ruas de manhã... são os pequenos detalhes que fazem essa estação ser tão incrível.
      Café, livros, cama, cobertor, meias, filmes... o outono é uma época de grandes reflexões, pensamentos, ideias e questionamentos sobre a vida, uma época para passar mais tempo consigo mesmo, encontrando suas qualidades e defeitos, uma época para aprumar-se.
      Se eu fosse escolher a estação do ano que mais se parecesse comigo, com certeza seria o outono. Pois ao contrário do verão, que é época de agitação, bagunça e extroversão, o outono, para mim, é uma época mais tranquila, organizada e solitária. E também não é igual ao inverno, que é mais tenso, indeciso e íntimo e nem igual a primavera, que é alegre, infantil e calorosa.
      É uma época de poucas lembranças, mas as poucas que se adquirem, são especiais e eternas.

Outono, doce outono, guardarei para sempre as lindas lembranças que ganhei de ti.

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

O Vento e a Árvore

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      Era uma vez, uma grande árvore solitária. Era início de outono e suas folhas estavam começando a secar e a caírem uma por uma ao chão. O tempo passava na velocidade da eternidade para aquela árvore, que mal percebia o mesmo passar, pois tudo era estático, como uma foto. Só quando uma folha caía naturalmente que ela percebia que o tempo não havia parado. Estava se sentindo tão sozinha, que o silêncio era sua única companhia. 
      Em um dia calmo e monótono, de repente a árvore sentia um empurrão de leve, como se algo estivesse passando através dela. A árvore percebeu que suas folhas logo se mexiam e se desgrudavam dela mais rápido. Ficou assustada, o que poderia ser aquilo afinal? O vento. 
      O vento havia chegado e se apresentado de uma maneira um pouco agitada, mas não queria assustar ninguém. Ele ficou mais suave, e agora se tornara uma leve e fresca brisa. A árvore se sentiu mais calma e aceitou a vinda do recém chegado. O vento disse que se sentia solitário porque ninguém o notava apesar de mover as coisas, era silencioso e sem forma, e também invisível, apenas se movia aleatoriamente. A árvore disse que se sentia solitária porque era estática e sem graça, e ninguém dava importância. Tanto a árvore como o vento, agora estavam fazendo companhia um ao outro. Logo ambos decidiram unir suas qualidades e se tornaram grandes amigos. 
      O vento ajudava a árvore a espalhar suas flores e seu aroma pelo lugar, fazendo suas flores e folhas flutuarem no ar, a deixando bela e dançante. Esta ajudava o vento a não ser mais 'invisível', suas folhas faziam com que o vento pudesse 'cantar', se tornando mais radiante.
      Um espetáculo simples entre dançarinos e cantores... um dependendo do outro para serem o que realmente são.



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sábado, 2 de julho de 2011

O Solitário Verde

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visit Ortist

Caí... e estou aqui, sozinho.


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domingo, 17 de abril de 2011

A Realidade de Marrie

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      Naquela casa enorme com um grande jardim, a pequena criança estava sozinha a brincar. Era uma garotinha de 6 anos, alegre, tímida, criativa, e simplesmente adorava brincar. A solidão nunca havia atormentado essa pequena garota, sempre estava rodeada de criaturas fantásticas, amigos imaginários, monstros feiosos e de tudo o que vinha a sua cabeça. Marrie, era seu nome.
      O fim de tarde daquele sábado se tornara um sábado mágico, ao menos para Marrie. Ela, em seu jardim, corria de um lado para outro se escondendo atrás de arbustos e árvores, como se estivesse se escondendo de algo perigoso, ficava atenta olhando para todos os lados antes de voltar a correr. Como se estivesse na companhia de vários amigos, Marrie falava sozinha, ou melhor, conversava com seus amigos imaginários, planejando um ataque contra seus inimigos perigosos para salvar seu incrível mundo mágico. Passava todo aquele resto do dia brincando e se divertindo, pois acreditava fortemente na veracidade do que imaginava, e que tudo o que acontecera fosse real. Mais tarde saberia que tudo isso não se passava de um mundo imaginário, que o verdadeiro mundo não pode ser do jeito que todos querem, que a realidade pode ser cruel ao mesmo tempo que não seria tão cruel assim... porém, por hora, a realidade de Marrie, era simplesmente a realidade de Marrie.


A infância é a fase da vida mais bela e alegre de todas. A imaginação toma conta da realidade. Um mundo que não poderia existir, existe.

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quarta-feira, 6 de abril de 2011

Viver

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Se nasci para morrer, pra que viver?

'Pra que?' Se questionava Amber. Ela não entendia o motivo das pessoas lutarem para viver, dos animais lutarem para viver, de todos os seres vivos lutarem para viver. Era algo que a intrigava. Claro que sabia que cada ser vivo vivia basicamente para perpetuar sua espécie, mas mesmo assim, se o final nunca irá mudar, não adianta lutar contra, pois um dia ele irá chegar... essa era a base de sua idéia. 
Amber tinha trinta e poucos anos, era uma mulher de grande sucesso em sua área profissional, que por sinal era na área da ciência. Ela sempre quis ir em busca dos mistérios por trás da vida, mas com todos esses anos trabalhando nisso, começou a pensar, que no final, o que espera é a morte. Imaginava se os suicidas eram espertos ou fracos. Sua vida parecia agora ser apagada, sem cor, pois tudo o que fazia, sabia ela que iria acabar.
A bela mulher, separada, mãe de dois filhos homens, caminhava no belo parque de sua cidade no entardecer. As árvores do outono eram alaranjadas, o lago refletia o céu de mesmo tom, tudo era lindo e relaxante. Porém, para Amber, aquilo era nada demais, de que adiantava prestigiar tal coisa afinal? 
Depois de muito pensar e caminhar, ela sentava-se no gramado coberto por folhas vermelhas das árvores do outono sobre uma dessas árvores. Encostava a cabeça na mesma e olhava para o céu, para o imenso céu.



Percebia que se não estivesse viva, não estaria ali naquele momento, não teria criado dois filhos maravilhosos, não teria tido a oportunidade de ver tudo o que já havia visto até aquele momento. Amber percebia que a vida era uma oportunidade, e que por isso todos que a tem, deveriam aproveitá-la ao máximo, pois jamais terá outra oportunidade de conhecer a vida e com ela conhecer coisas incríveis, e cada um conhece a vida a sua maneira. Ela percebia que já havia visto muitas coisas, vivido muitas coisas, e que tudo isso não fora em vão, tudo isso é a sua história, tudo isso existiu, é o que fez da sua existência a própria existência, é a sua própria vida. Mesmo que no final a morte seja seu destino, teve a oportunidade de viver.

Se nasci para morrer, pra que viver? Viver para viver, e deixar que a morte faça da sua vida, a sua história.



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quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Céu

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"Por que não fechar os olhos nesse instante, e lembrar que você é realmente feliz?"
Dizia em voz alta e repetidas vezes aquele velho senhor que estava parado no meio daquela calçada. Algumas pessoas o olhavam achando estranho, outras paravam e ficavam o assistindo, outras ficavam a zombar do velho, e algumas se afastavam pensando que era um louco. Não sabia ao certo o que se passava na cabeça daquele senhor, mas quem parasse e prestasse atenção na sua pergunta e fizesse o que estava dizendo, certamente perceberia de que a vida que levava não era tão ruim assim. 
"Para muitos, a felicidade só é percebida quando vê que os outros estão em situações piores ou inferiores... ao invés de percebê-la assim... por que não fechar os olhos nesse instante, e lembrar que você é realmente feliz?"
Dizia mais uma coisa e no fim repetia sua pergunta. Sempre em voz alta, para que todos que estivessem passando pudessem escutá-lo.
"Algumas pessoas acham que se tornam felizes através da infelicidade dos outros... mas isso jamais será a verdadeira felicidade... ao invés disso... por que não fechar os olhos nesse instante, e lembrar que você é realmente feliz?"
Aos poucos mais e mais pessoas se aglomeravam em volta daquele velho senhor, pois as pessoas estavam começando a se identificar com o que ele dizia, e queriam continuar a escutá-lo, pois de alguma forma tais palavras confortavam as pessoas e as faziam perceber que a felicidade estava dentro de cada uma delas.
"Todos querem encontrar a felicidade...e todos a encontram, mas nunca percebem, pois nesse mundo as coisas perdem o valor muito rápido... é uma pena. A única coisa a fazer é perceber que você é feliz..." 
O velho senhor parava e ficava olhando distraído para o céu azul, com lindas nuvens grandes perto das montanhas, fazendo parecer que eram ilhas voadoras. As pessoas ficavam confusas e então olhavam na mesma direção em que ele olhava, era algo que sempre esteve ali, mas que as pessoas jamais perceberam sua presença. Ficavam encantadas com o céu iluminado, sorrisos saíam de suas faces. Assim como o céu, a felicidade sempre esteve por perto... são as pessoas que não a percebem... então...
Porque não fechar os olhos nesse instante, e lembrar que você... é realmente feliz?



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quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Simples canção

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Já eram 5 horas da tarde daquele domingo. Era hora de ver o pôr do sol. Mary pegava um casaco, um violão e saía de sua casa. O céu estava claro, o tom era levemente alaranjado, os raios de sol passavam pelas árvores deixando uma bela imagem de paz para se apreciar durante o caminho. Ela andava devagar olhando para as árvores acima, percebia como eram belas e simples, e também como era boa a sensação de liberdade e paz ao sentir o clima fresco, ao escutar pássaros cantando suavemente, ao sentir toda aquela tranqüilidade. 
Queria Mary que aquele momento durasse para sempre. No meio do caminho, a jovem que estava sorrindo para a natureza ao redor, começava a cantar com sua linda voz. A letra era improvisada inspirada no que ela via e sentia, sua voz era suave, gostosa de se ouvir, uma voz que relaxava. 
Eu queria ser uma árvore
Para apreciar o pôr do sol todos os dias
Eu queria ser uma árvore
Para entender a simplicidade da vida
Eu queria ser uma árvore
Para ouvir dos pássaros, a bela melodia
Eu queria ser uma árvore 
Para jamais viver arrependida
(...)


O fim do caminho era um grande campo aberto, era uma plantação de grãos, parecia ser um grande tapete creme. Subia até o ponto mais alto daquele campo, sentava-se no chão, pegava seu violão e ficava a olhar o horizonte, o pôr do sol. Assim tocava a primeira nota da música que estava cantando anteriormente. No improviso e na inspiração daquele domingo agradável, Mary passava o fim de tarde cantando, apreciando as coisas simples que a rodeavam naquele momento, deixava-se levar pelo fluxo, pela energia calma e relaxante que a natureza lhe oferecia. Era apenas mais um domingo, era apenas mais um fim de semana indo embora, mas para Mary, não era apenas isso, era um grande momento feito de pequenas coisas, e que deveriam ser aproveitadas ao máximo, pois nas coisas simples é que se encontram grandes surpresas.



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quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Chuva

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"Minhas meias brancas com detalhes de flores azuis esquentavam meus pequenos pés naquele dia de chuva. Eu tirava os sapatos, ia até o quarto de minha mãe, ficava entre a porta e o guarda roupa sentada no chão encostada na parede, apenas observando a chuva da janela. Não era um dia triste... era um dia ensolarado e alegre disfarçado em meio a chuva."

Dias frios, escuros, com chuviscos que ameaçavam uma chuva... eram dias em que desanimavam qualquer um. O sol de toda manhã, em dias assim, mal aparecia, dando uma sensação de fim de tarde, de desânimo, como se você tivesse trabalhado o dia todo, essa era a impressão que dava. Guardas chuva pretos eram a maioria na rua, isso colaborava ainda mais para aquele ânimo de luto, e sem falar nas roupas escuras que cobriam todo o corpo. Dias de chuva para Adrielle eram assim, como se fossem dias de luto.
Já morava fazia 10 anos naquela mesma casa, sozinha. A chuva só fazia Adrielle se sentir ainda mais solitária, pois se lembrava de sua antiga casa, onde tinha a mania de se sentar ao chão no quarto de sua falecida mãe a ficar olhando a chuva passar pela janela. 
Sem muita coisa para fazer naquele domingo chuvoso, Adrielle decidia dar uma arrumada em sua casa já que estava precisando e também queria passar o tempo. Passava horas arrumando cada canto de sua casa, até que foi arrumar o guarda roupa. O guarda roupa era antigo, e era de sua mãe. Com cuidado ela abria as gavetas que nunca usara, e dentro delas haviam algumas coisas esquecidas. Ela tirava um porta-retrato antigo dela com sua mãe e deixava sobre a cama com cuidado, depois uma pequena caixa de jóias que estava vazia mas lhe trazia muitas lembranças, e por fim uma sacola de pano todo rendado fechado por um laço azul. Adrielle ficava curiosa a respeito e retirava o laço com cuidado, assim abrindo a sacola. 
Sobre a cama, ela virava a sacola de cabeça para baixo para que o que estivesse lá dentro caísse sobre a maciez da cama. Assim que aquilo aparecia perante aos olhos de Adrielle, eles simplesmente se encheram de lágrimas.
Eram pequenas meias brancas com detalhes de flores azuis... já não lhe serviam mais, mas ela sentia uma vontade imensa de vesti-las e se sentar ao chão para apreciar a chuva, como nos velhos tempos. 
Adrielle pegava as pequenas meias, se dirigia até perto da porta do quarto que era ao lado do guarda roupa, retirava os sapatos e ali se sentava encostando-se na parede. Via minúsculas gotas de chuva escorrerem pelo vidro da janela de seu quarto, e como se o som, o cheiro e a temperatura fossem a mesma de quando era criança, Adrielle passava a tarde toda ali... com um sorriso no rosto, sentindo a nostalgia de assistir a chuva, que agora não parecia mais ser um dia de luto, e sim um dia ensolarado e alegre disfarçado em meio a chuva.


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