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segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

O Baú Trancado

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      Victoria vivia dentro de um baú. E este baú era trancado e ninguém tinha a chave para abri-lo, a chave estava perdida em algum lugar por aí. Porém Victoria não queria que abrissem seu baú, sua casa, seu mundo. Pois não estava pronta para sair. Apesar de estar aprisionada lá dentro, ela se sentia livre. Era livre para ser ela mesma em um mundo em que ela mesma criou. Ela tinha medo de sair, pois sabia que lá fora, teria que abrir mão de ser ela mesma, abrir mão de seu mundo, para poder sobreviver fora de seu baú.
      Em um belo dia, Victoria acordou com um som no que parecia serem chaves se mexendo. O som parecia cada vez mais próximo e Victoria logo se levantou da cama e encostou o ouvido na parede do baú para escutar melhor. De repente o som parou.

      - Ué? O que aconteceu? - Perguntou para si mesma, curiosa.

      E não demorou muito para o som voltar, e dessa vez estava bem próximo. Logo a fechadura começou a ser destrancada. Victoria olhou desesperadamente para tal fechadura, percebeu que alguém estava destrancando o baú. Ela olhou em volta à procura de alguma coisa que pudesse ajudá-la a evitar de abrirem sua casa, mas sem nada para ajudá-la, seu baú fora destrancado.
      Ela olhou em direção a abertura e viu uma sombra contra a luz, parecia ser um rapaz. Ele então simplesmente pulou para dentro do baú de Victória, e com um sorriso no rosto disse, olhando para ela:

      - Olá! Me chamo Tyler! Desculpe invadir de repente o seu baú... mas é que eu estava muito curioso para ver quem estava aqui dentro, já que eu tinha a chave.

      - Oh... er... oi Tyler, eu me chamo Victoria... - Disse a jovem moça, ainda um pouco perdida com a nova situação em que se encontrava.

      - Muito prazer, Victoria! E nossa, você é linda!

      Nesse momento Vitoria se sentiu lisonjeada e corou seu rosto. Mas ela tentou continuar a ser racional, e ainda séria, perguntou:

      - E como conseguiu a chave?

      - Bom... eu encontrei ela perdida por aí, e daí depois encontrei esse baú, daí fui tentar abrir e te encontrei!

      - Ah... - Disse Victoria, não acreditando muito naquilo.

      Tyler, simpático, sorriu e estendeu a mão para a jovem e disse:

      - Venha! Venha conhecer o mundo lá fora! Você vai adorar!

      Victoria sentiu medo, mas ao mesmo tempo sentiu uma grande curiosidade e vontade de explorar mundo a fora. Então ela respirou fundo e aceitou o convite, segurou na mão do garoto e juntos saíram do baú.
      Tyler mostrou um mundo totalmente diferente do mundo de Victoria. E as novidades a deixavam encantada, era um novo mundo, uma nova vida. E Tyler a deixava encantada também, por lhe mostrar aquele belo mundo.
      Passou bastante tempo do lado de fora, aprendendo sobre várias coisas, conhecendo pessoas novas, começou a ter novos gostos, etc. Tudo parecia ser maravilhoso, ao contrário do que ela pensava enquanto estava presa. Porém... esse mundo novo fez com que Victoria mudasse. Ela não sabia se tinha mudado para melhor ou pior. Ficou confusa, mas deixou isso pra lá e continuou a explorar o mundo novo.
      Quando Victoria voltou para sua casa, viu que não havia mais nada. Pois havia deixado seu baú destrancado. Destrancado por causa que Tyler estava com a chave. Haviam roubado suas coisas. Ela ficou desesperada, e logo pensou em voltar para a casa de Tyler para pedir ajuda.
      Porém durante o caminho, ela viu Tyler e seus amigos carregarem algumas coisas, levando para um carro. Eram as suas coisas. Victoria ficou chocada.
      "Tyler... por que?", questionou a inocente garota, com pequenas lágrimas escorrendo em seu rosto, enquanto via Tyler levar todas as suas coisas.
      Ela voltou correndo para o seu baú. No caminho tropeçou em algo jogado no chão. E ao ver o que era, ficou surpresa. Era sua chave. Victoria olhou chocada ao encontrá-la jogada ali de forma grotesca e quase quebrada, e a pegou rapidamente, entrou em sua casa e trancou-a novamente. A jovem se sentou no chão,  enquanto estava encostada na porta, segurou a chave com ambas as mãos e trouxe para perto do peito, e começou a chorar.
      Victoria então decidiu que a partir daquele momento, jamais destrancaria seu baú novamente. Jamais.

Se o baú for seu coração...

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segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

O Amor Indiferente de Romeo

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Você não consegue amar. Você não consegue me amar. Amar você é como se eu estivesse amando um vazio.

       Estas foram as últimas palavras de Claire para seu ex-namorado, Romeo. Ele lembrara muito bem de tais amargas palavras. "Eu não sei o que eu fiz de errado...", pensou o jovem homem, deitado em sua cama.
      Lembranças boas de seu relacionamento com Claire lhe vinham a mente. Para ele, tudo estava perfeito. Não conseguia achar algum sentido na repentina separação. Não conseguia entender o sentido daquelas cruéis palavras. "Claro que eu te amo, querida Claire... por que achas que não?", pensou intrigado.
      Romeo apenas se ajeitou em sua confortável cama e adormeceu. Mal sabia ele que sua amada estava prestes a suicidar.
      No topo do prédio onde Romeo morava, estava Claire aos prantos e na mais profunda dor, prestes a tirar a própria vida. Exagero? Talvez. Talvez fosse exagero se Claire realmente não tivesse amado um vazio.


      Claire conheceu Romeo em uma viagem turística na Índia. Ambos logo perceberam que tinham vários interesses em comum e também descobriram que moravam no mesmo bairro. Passaram a viagem juntos e Claire logo percebeu que havia encontrado o amor de sua vida. Romeo era respeitoso, charmoso, tinha um ar misterioso no qual fazia a jovem se sentir atraída para desvendar tais mistérios. Ele era bem humorado e era sempre muito cavalheiro com Claire. O rapaz também logo se interessou na bela moça e ambos começaram um relacionamento.
      Romeo raramente chamava Claire para sair, e isso fazia a jovem moça desejar cada vez mais seu amado. Quando saíam, Romeo quase não falava de sua vida, apenas escutava e perguntava a respeito de Claire, que adorava falar. Com o tempo, Claire foi percebendo tais atitudes de Romeo. Percebeu que quase sempre era ela que tinha que tomar a iniciativa para qualquer coisa entre os dois, como chamar pra ir no cinema, dar um abraço de ternura sem motivo aparente, entre outras coisas. E quanto mais ela tentava se aproximar e se adentrar na vida de Romeo, mais ele parecia se afastar e evitar Claire. "O que está acontecendo conosco?", questionou a jovem uma vez. "Do que está falando, querida?", perguntou o rapaz, confuso. "Você parece não se importar com a nossa relação...", disse Claire, triste. "Claro que me importo.", disse o jovem, sem perguntar algo como 'Porque?' para continuar a conversa, era como se ele não quisesse saber. "Está vendo! Parece que tanto faz estar comigo ou não!", disse Claire, revoltada. "Calma, querida... é que eu não quero que você dependa de mim e nem eu dependa de você...", respondeu de forma calma, sem se abalar com a frustração de sua namorada. "O que quer dizer com isso?", questionou Claire, confusa. "Não gosto de abrir mão da minha liberdade... só isso.", respondeu de forma indiferente. "Liberdade? Liberdade pra fazer o que?", questionou Claire. "Liberdade para ser eu mesmo.", disse Romeo. A conversa acabou ali.
      Os meses seguintes foram uma tortura para Claire. Passavam-se semanas sem se falarem, e quando retomavam a comunicação, era sempre a jovem moça que tinha que 'correr atrás'. Realmente para Romeo, não fazia a menor diferença estar ou não com Claire. Ele realmente gostava e se importava com ela, só que ao mesmo tempo era indiferente à aquilo. Claire chegou no limite. Era doloroso amar Romeo sendo que o mesmo não a correspondia, mesmo ele a amando de verdade. Ela chegou no limite e disse as ultimas palavras para seu amado. "Você não consegue amar. Você não consegue me amar. Amar você é como se eu estivesse amando um vazio."


      Claire deu seu ultimo suspiro e se jogou do prédio.
      No dia seguinte Romeo ficou sabendo da morte de sua amada. - Supostamente sua 'amada'. - Ele chorou em seu funeral. Chorou durante algumas semanas. Mas não se sentiu culpado. Para ele a culpa era dela mesma por não ter compreendido os seus sentimentos. - Sentimentos? Será que ele realmente os tinha? - Superou rápido e continuou com sua pacata vida.
      Romeo sentia que Claire era seu apoio e não o amor de sua vida, por isso continuava com a relação. Pois Romeo não sabia amar, e também não tinha interesse em querer aprender a amar.
      No fundo, Romeo, o jovem indiferente, apenas fora mal compreendido por Claire, a jovem normal.

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terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

O que é adequado para você?

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Eu me lembro muito bem. É só você tomar uma decisão, tomar uma atitude ou uma opinião diferente do conceito que eles consideram adequado, que eles te julgam. Mas o que é adequado pra você? Você acha que o seu conceito das coisas é o que vale pra todos?

Claro que não.

Pode até valer para a maioria das pessoas, mas nunca será adotado por unanimidade. Aceite isso.
Os diferentes existem porque existem os iguais... ou o melhor... os iguais existem porque existem os diferentes. Se todos continuarem a julgar de forma precipitada uns aos outros, sem ter um conhecimento profundo das coisas... o mundo apenas continuará caindo.



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