terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Rotina

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      George observava as pessoas. Estava aquele jovem rapaz com seus 26 anos olhando para todos que passavam pela rua da janela de seu apartamento. Ele percebia que todos os dias, as mesmas pessoas, faziam as mesmas coisas... era a rotina. Ele se perguntava se essas pessoas não se questionavam de suas vidas, se realmente valia a pena se sacrificar tanto para ter aquelas vidas monótonas. Ele não entendia a rotina, sempre queria fugir dela, pois sabia que se a deixasse tomar conta de sua vida, ele não viveria por ele mesmo, apenas viveria para seguir o fluxo.
      O rapaz saía de sua casa e entrava nas ruas da cidade. Observava com atenção para as pessoas que ele já havia observado durante um certo tempo. 
      Formigas. As pessoas eram como formigas para ele. E a cidade, o formigueiro. Não é difícil de comparar, há muitas semelhanças. As pessoas seguiam o fluxo, a rotina da cidade... e o fruto do trabalho de cada um, mantinha o enorme formigueiro funcionando.
      George achava engraçado o fato de que as pessoas a um primeiro momento, se sentiam incomodadas pelas pessoas que não seguiam o fluxo corretamente. Claro que criminosos, malucos, bêbados entre outros que fazem mal as pessoas não conta... mas por exemplo, um jovem gótico usando roupas pesadas, cheias de correntes entre outros adereços, incomodava as outras pessoas "normais". Pessoas normais são formigas. Era essa a definição de uma pessoa normal para George.
      Ele voltava para seu apartamento. Deitava no sofá e dormia.
      Ao amanhecer, George acordava. Tomava banho, ia tomar café, depois saía para comprar jornal e dar uma volta na praça, voltava para almoçar, ficava observando as pessoas o dia todo, jantava, tomava banho e ia se deitar. Ele começou a notar que sua vida era uma rotina. Uma vez ou outra mudava essa agenda... mas percebeu que se acomodou e deixou a rotina tomar conta. Segurança. Talvez fosse por isso que as formigas não mudam... se sentem seguras fazendo as mesmas coisas... mudar as deixam inseguras. George agora havia entendido porque a maioria vivia assim. Mas mesmo sabendo disso, o jovem não queria viver assim. Começou a fugir da rotina novamente.
      Acordava, saía de pijamas pela rua, dava uma volta e voltava para casa, tomava café, tomava banho, saía de casa de novo para tocar violão no meio da praça pra ganhar umas gorjetas, ia pescar... enfim, fazia um monte de coisas aleatórias sem seguir um horário. Durante um certo tempo, sempre variando nas suas atividades anti-rotina, isso deu certo. Mas agora sua rotina era essa: fugir dela. Não adianta, quando se acomoda é porque segue uma rotina.
      George se cansava. Cansava de tentar fugir de algo que o perseguia. Se entregava a vida, deixando se levar pelo fluxo, apenas. O que ele não sabia, era que esse fluxo é cheio de surpresas.

A vida é bem monótona. Coisas que as pessoas pensam que são incomuns, na verdade são mais comuns do que se imagina. Amigos bêbados e felizes deitados na grama depois de beberem em um bar, uma mulher pintando um quadro no meio da praça, um rapaz fotografando tudo o que via praticamente, um grupo grande de pessoas fazendo um flash mob ali perto... coisas que não estamos acostumados a presenciar a todo o momento tornam-se coisas incomuns... mas coisas incomuns não quer dizer que são inéditas.
Nada de mais novo parece acontecer. Mas quando menos esperamos, uma caixa de surpresas aparece.

A vida é bem monótona... mas é interessante vivê-la.


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domingo, 16 de janeiro de 2011

O filho

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Era uma vez um casal muito apaixonado que estava prestes a ter um bebê. A mamãe já estava no hospital, quase pronta para dar a luz, e o papai esperando ser chamado para ficar ao lado de sua amada e ver seu querido filho nascer. Não passava muito tempo, o papai entrava na sala e segurava na mão de sua amada, que parecia sofrer um pouco devido ao trabalho de parto. Poucas horas depois, o bebê finalmente nascia! Era um menino saudável e grande, que fazia seus pais sentirem as pessoas mais felizes desse mundo.
O bebê chegava ao seu novo lar, na qual viveria momentos felizes que ficariam marcados para sempre em sua vida. No começo foi difícil o casal se acostumar com a nova rotina, mas com muita paciência e amor, o papai e a mamãe conseguiam deixar seu bebê saudável e feliz. Trocavam as fraldas fedorentas do bebê com toda a alegria, ficavam acordados até tarde para fazer a criança adormecer, levavam o bebê de madrugada ao hospital quando algo de errado acontecia... tudo isso sem reclamar... simplesmente porque o amavam.
Poucos meses se passavam, e a mamãe já começava a alimentar seu bebê com papinha. Ainda era novinho para comer sozinho, mas com o amor e ajuda da mamãe, o bebê podia se alimentar para ficar cada vez mais forte.
Passava meses, e o bebê já estava querendo andar... seu papai o segurava pelas mãos com muito cuidado e com carinho, e o deixava andar com segurança. Assim que ficava a poucos centímetros de sua mãe, o papai soltava as mãozinhas, e o bebê saía andando até sua mamãe! Os dois pularam de alegria ao ver seu filhinho andar pela primeira vez! Que inesquecível.
Os banhos eram alegres, e o pequeno garotinho se sentia confortável e feliz, pois a mamãe o segurava com muito cuidado para não ir água nos seus olhos e nariz, e lavava cada parte de seu corpo muito bem lavada, pois a higiene era fundamental.
Com três aninhos, o bebê já era uma criança! Ele começava a aprender a ler, e seus pais o ajudavam a entender cada letra e cada palavra com muita paciência a amor.
Aos 5 começava a fazer arte, e deixava seus pais bravos, que fazia o garoto ficar triste, mas pelo menos aprendia a lição para se tornar uma boa pessoa.
A partir daí veio muitas lições... que seriam difíceis de lhe dar, mas que papai e mamãe jamais desistiriam, pois afinal, era o filho querido deles.


Aos 30 anos, já casado, com filhos... aquele bebê, se tornara um homem de sucesso, um homem honesto que sempre queria o bem dos outros. 
Seus pais se orgulhavam muito da pessoa que ele havia se tornado, e ele de seus pais por terem o tornado assim.
Os anos se passavam... e seus pais envelheciam. 
O bebê, que agora era aquele homem, cuidava de seus pais. Pois eles logo começavam a ter dificuldades para ler, e o bom filho os ajudava a entender cada letra e cada palavra com muita paciência e amor. Aos poucos foram ficando mais doentes e dependiam de seu filho para tomarem banho, que lavava cada parte de seus corpos muito bem lavadas, pois a higiene era fundamental. Andar estava ficando difícil, e o bom filho logo segurava nas mãos de seus pais com muito cuidado para ajudarem a andar com segurança. Cada vez mais era difícil de pegar um garfo e levar até a boca para se alimentar... mas o filho os ajudava a se alimentarem dando comida até a boca, e aos poucos foram ficando menos sólidas, eram como papinhas.
Passavam-se os anos, e a vida era cada vez mais difícil para aquele casal apaixonado... mas seu filho sempre estava ali... trocando fraldas fedorentas, ficando acordado até tarde esperando pegarem no sono, levando eles ao hospital quando algo de errado acontecia... simplesmente porque os amava... e era eternamente agradecido por terem feito de tudo por ele.


"Nossos pais cuidaram de nós com toda a paciência e amor do mundo, sem nunca desistir... e quando chegar a nossa vez de cuidarmos deles... que façamos o nosso melhor, com toda paciência e amor do mundo, assim como eles fizeram por nós." - por 'Filho'



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quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Céu

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"Por que não fechar os olhos nesse instante, e lembrar que você é realmente feliz?"
Dizia em voz alta e repetidas vezes aquele velho senhor que estava parado no meio daquela calçada. Algumas pessoas o olhavam achando estranho, outras paravam e ficavam o assistindo, outras ficavam a zombar do velho, e algumas se afastavam pensando que era um louco. Não sabia ao certo o que se passava na cabeça daquele senhor, mas quem parasse e prestasse atenção na sua pergunta e fizesse o que estava dizendo, certamente perceberia de que a vida que levava não era tão ruim assim. 
"Para muitos, a felicidade só é percebida quando vê que os outros estão em situações piores ou inferiores... ao invés de percebê-la assim... por que não fechar os olhos nesse instante, e lembrar que você é realmente feliz?"
Dizia mais uma coisa e no fim repetia sua pergunta. Sempre em voz alta, para que todos que estivessem passando pudessem escutá-lo.
"Algumas pessoas acham que se tornam felizes através da infelicidade dos outros... mas isso jamais será a verdadeira felicidade... ao invés disso... por que não fechar os olhos nesse instante, e lembrar que você é realmente feliz?"
Aos poucos mais e mais pessoas se aglomeravam em volta daquele velho senhor, pois as pessoas estavam começando a se identificar com o que ele dizia, e queriam continuar a escutá-lo, pois de alguma forma tais palavras confortavam as pessoas e as faziam perceber que a felicidade estava dentro de cada uma delas.
"Todos querem encontrar a felicidade...e todos a encontram, mas nunca percebem, pois nesse mundo as coisas perdem o valor muito rápido... é uma pena. A única coisa a fazer é perceber que você é feliz..." 
O velho senhor parava e ficava olhando distraído para o céu azul, com lindas nuvens grandes perto das montanhas, fazendo parecer que eram ilhas voadoras. As pessoas ficavam confusas e então olhavam na mesma direção em que ele olhava, era algo que sempre esteve ali, mas que as pessoas jamais perceberam sua presença. Ficavam encantadas com o céu iluminado, sorrisos saíam de suas faces. Assim como o céu, a felicidade sempre esteve por perto... são as pessoas que não a percebem... então...
Porque não fechar os olhos nesse instante, e lembrar que você... é realmente feliz?



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quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Simples canção

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Já eram 5 horas da tarde daquele domingo. Era hora de ver o pôr do sol. Mary pegava um casaco, um violão e saía de sua casa. O céu estava claro, o tom era levemente alaranjado, os raios de sol passavam pelas árvores deixando uma bela imagem de paz para se apreciar durante o caminho. Ela andava devagar olhando para as árvores acima, percebia como eram belas e simples, e também como era boa a sensação de liberdade e paz ao sentir o clima fresco, ao escutar pássaros cantando suavemente, ao sentir toda aquela tranqüilidade. 
Queria Mary que aquele momento durasse para sempre. No meio do caminho, a jovem que estava sorrindo para a natureza ao redor, começava a cantar com sua linda voz. A letra era improvisada inspirada no que ela via e sentia, sua voz era suave, gostosa de se ouvir, uma voz que relaxava. 
Eu queria ser uma árvore
Para apreciar o pôr do sol todos os dias
Eu queria ser uma árvore
Para entender a simplicidade da vida
Eu queria ser uma árvore
Para ouvir dos pássaros, a bela melodia
Eu queria ser uma árvore 
Para jamais viver arrependida
(...)


O fim do caminho era um grande campo aberto, era uma plantação de grãos, parecia ser um grande tapete creme. Subia até o ponto mais alto daquele campo, sentava-se no chão, pegava seu violão e ficava a olhar o horizonte, o pôr do sol. Assim tocava a primeira nota da música que estava cantando anteriormente. No improviso e na inspiração daquele domingo agradável, Mary passava o fim de tarde cantando, apreciando as coisas simples que a rodeavam naquele momento, deixava-se levar pelo fluxo, pela energia calma e relaxante que a natureza lhe oferecia. Era apenas mais um domingo, era apenas mais um fim de semana indo embora, mas para Mary, não era apenas isso, era um grande momento feito de pequenas coisas, e que deveriam ser aproveitadas ao máximo, pois nas coisas simples é que se encontram grandes surpresas.



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