quarta-feira, 6 de abril de 2011

Viver

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Se nasci para morrer, pra que viver?

'Pra que?' Se questionava Amber. Ela não entendia o motivo das pessoas lutarem para viver, dos animais lutarem para viver, de todos os seres vivos lutarem para viver. Era algo que a intrigava. Claro que sabia que cada ser vivo vivia basicamente para perpetuar sua espécie, mas mesmo assim, se o final nunca irá mudar, não adianta lutar contra, pois um dia ele irá chegar... essa era a base de sua idéia. 
Amber tinha trinta e poucos anos, era uma mulher de grande sucesso em sua área profissional, que por sinal era na área da ciência. Ela sempre quis ir em busca dos mistérios por trás da vida, mas com todos esses anos trabalhando nisso, começou a pensar, que no final, o que espera é a morte. Imaginava se os suicidas eram espertos ou fracos. Sua vida parecia agora ser apagada, sem cor, pois tudo o que fazia, sabia ela que iria acabar.
A bela mulher, separada, mãe de dois filhos homens, caminhava no belo parque de sua cidade no entardecer. As árvores do outono eram alaranjadas, o lago refletia o céu de mesmo tom, tudo era lindo e relaxante. Porém, para Amber, aquilo era nada demais, de que adiantava prestigiar tal coisa afinal? 
Depois de muito pensar e caminhar, ela sentava-se no gramado coberto por folhas vermelhas das árvores do outono sobre uma dessas árvores. Encostava a cabeça na mesma e olhava para o céu, para o imenso céu.



Percebia que se não estivesse viva, não estaria ali naquele momento, não teria criado dois filhos maravilhosos, não teria tido a oportunidade de ver tudo o que já havia visto até aquele momento. Amber percebia que a vida era uma oportunidade, e que por isso todos que a tem, deveriam aproveitá-la ao máximo, pois jamais terá outra oportunidade de conhecer a vida e com ela conhecer coisas incríveis, e cada um conhece a vida a sua maneira. Ela percebia que já havia visto muitas coisas, vivido muitas coisas, e que tudo isso não fora em vão, tudo isso é a sua história, tudo isso existiu, é o que fez da sua existência a própria existência, é a sua própria vida. Mesmo que no final a morte seja seu destino, teve a oportunidade de viver.

Se nasci para morrer, pra que viver? Viver para viver, e deixar que a morte faça da sua vida, a sua história.



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quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Meu sorriso

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      O céu estava escuro ainda, eram 4 e meia da manhã. A neblina deixava o caminho todo com um ar de filme de terror... mas não me abalei e continuei andando. O caminho era de terra, haviam árvores beirando a estrada, e, apesar do cenário escuro, não tinha medo.
      Eu estava de pijama e usava um par de tênis... era para a caminhada. Levava meu cobertor junto, cobrindo meu corpo naquele frio. A estrada sempre era vazia, ninguém iria me ver de pijama de moleton azul bebê com estampa de nuvens com carinhas felizes... e com tênis e cobertor... ainda bem. O céu aos poucos começava a azular conforme eu seguia meu rumo, e já se escutava os primeiros cantos de alguns passarinhos.
     Depois de alguns minutos andando sem parar, eu me sentava em uma pedra que estava na beira da estrada, que a esse ponto já era asfaltada, e ficava a descansar um pouco antes de continuar. O céu estava lindo, em um tom alaranjado, e, apesar do frio que ainda prevalecia, as cores quentes do nascer do sol já me ajudavam a me sentir mais aquecida. O lugar onde eu estava era alto, a neblina estava começando a desaparecer, mas o horizonte nas partes mais baixas ainda estavam escondidas pelo lençol intocável. De qualquer forma, era relaxante observar e sentir a natureza acordando.


      Me levantei e continuei a caminhar. Queria ver o nascer do sol naquele lugar, então teria de me apressar para não perder a viagem. Mais minutos se passavam e finalmente consegui chegar no meu lugar...
      Havia uma cerca, que era onde se criavam cavalos, algumas árvores em volta e um banco. Me sentei no banco, atrás de uma árvore que era perto da cerca, e fiquei a apreciar o sol nascer. Pode parecer que é nada demais... mas me faz sorrir, e coisas que nos fazem sorrir pela sua verdadeira natureza, é algo que deve ser valorizado e admirado com todo seu amor.


      O que te faz sorrir... de verdade?

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terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Rotina

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      George observava as pessoas. Estava aquele jovem rapaz com seus 26 anos olhando para todos que passavam pela rua da janela de seu apartamento. Ele percebia que todos os dias, as mesmas pessoas, faziam as mesmas coisas... era a rotina. Ele se perguntava se essas pessoas não se questionavam de suas vidas, se realmente valia a pena se sacrificar tanto para ter aquelas vidas monótonas. Ele não entendia a rotina, sempre queria fugir dela, pois sabia que se a deixasse tomar conta de sua vida, ele não viveria por ele mesmo, apenas viveria para seguir o fluxo.
      O rapaz saía de sua casa e entrava nas ruas da cidade. Observava com atenção para as pessoas que ele já havia observado durante um certo tempo. 
      Formigas. As pessoas eram como formigas para ele. E a cidade, o formigueiro. Não é difícil de comparar, há muitas semelhanças. As pessoas seguiam o fluxo, a rotina da cidade... e o fruto do trabalho de cada um, mantinha o enorme formigueiro funcionando.
      George achava engraçado o fato de que as pessoas a um primeiro momento, se sentiam incomodadas pelas pessoas que não seguiam o fluxo corretamente. Claro que criminosos, malucos, bêbados entre outros que fazem mal as pessoas não conta... mas por exemplo, um jovem gótico usando roupas pesadas, cheias de correntes entre outros adereços, incomodava as outras pessoas "normais". Pessoas normais são formigas. Era essa a definição de uma pessoa normal para George.
      Ele voltava para seu apartamento. Deitava no sofá e dormia.
      Ao amanhecer, George acordava. Tomava banho, ia tomar café, depois saía para comprar jornal e dar uma volta na praça, voltava para almoçar, ficava observando as pessoas o dia todo, jantava, tomava banho e ia se deitar. Ele começou a notar que sua vida era uma rotina. Uma vez ou outra mudava essa agenda... mas percebeu que se acomodou e deixou a rotina tomar conta. Segurança. Talvez fosse por isso que as formigas não mudam... se sentem seguras fazendo as mesmas coisas... mudar as deixam inseguras. George agora havia entendido porque a maioria vivia assim. Mas mesmo sabendo disso, o jovem não queria viver assim. Começou a fugir da rotina novamente.
      Acordava, saía de pijamas pela rua, dava uma volta e voltava para casa, tomava café, tomava banho, saía de casa de novo para tocar violão no meio da praça pra ganhar umas gorjetas, ia pescar... enfim, fazia um monte de coisas aleatórias sem seguir um horário. Durante um certo tempo, sempre variando nas suas atividades anti-rotina, isso deu certo. Mas agora sua rotina era essa: fugir dela. Não adianta, quando se acomoda é porque segue uma rotina.
      George se cansava. Cansava de tentar fugir de algo que o perseguia. Se entregava a vida, deixando se levar pelo fluxo, apenas. O que ele não sabia, era que esse fluxo é cheio de surpresas.

A vida é bem monótona. Coisas que as pessoas pensam que são incomuns, na verdade são mais comuns do que se imagina. Amigos bêbados e felizes deitados na grama depois de beberem em um bar, uma mulher pintando um quadro no meio da praça, um rapaz fotografando tudo o que via praticamente, um grupo grande de pessoas fazendo um flash mob ali perto... coisas que não estamos acostumados a presenciar a todo o momento tornam-se coisas incomuns... mas coisas incomuns não quer dizer que são inéditas.
Nada de mais novo parece acontecer. Mas quando menos esperamos, uma caixa de surpresas aparece.

A vida é bem monótona... mas é interessante vivê-la.


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domingo, 16 de janeiro de 2011

O filho

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Era uma vez um casal muito apaixonado que estava prestes a ter um bebê. A mamãe já estava no hospital, quase pronta para dar a luz, e o papai esperando ser chamado para ficar ao lado de sua amada e ver seu querido filho nascer. Não passava muito tempo, o papai entrava na sala e segurava na mão de sua amada, que parecia sofrer um pouco devido ao trabalho de parto. Poucas horas depois, o bebê finalmente nascia! Era um menino saudável e grande, que fazia seus pais sentirem as pessoas mais felizes desse mundo.
O bebê chegava ao seu novo lar, na qual viveria momentos felizes que ficariam marcados para sempre em sua vida. No começo foi difícil o casal se acostumar com a nova rotina, mas com muita paciência e amor, o papai e a mamãe conseguiam deixar seu bebê saudável e feliz. Trocavam as fraldas fedorentas do bebê com toda a alegria, ficavam acordados até tarde para fazer a criança adormecer, levavam o bebê de madrugada ao hospital quando algo de errado acontecia... tudo isso sem reclamar... simplesmente porque o amavam.
Poucos meses se passavam, e a mamãe já começava a alimentar seu bebê com papinha. Ainda era novinho para comer sozinho, mas com o amor e ajuda da mamãe, o bebê podia se alimentar para ficar cada vez mais forte.
Passava meses, e o bebê já estava querendo andar... seu papai o segurava pelas mãos com muito cuidado e com carinho, e o deixava andar com segurança. Assim que ficava a poucos centímetros de sua mãe, o papai soltava as mãozinhas, e o bebê saía andando até sua mamãe! Os dois pularam de alegria ao ver seu filhinho andar pela primeira vez! Que inesquecível.
Os banhos eram alegres, e o pequeno garotinho se sentia confortável e feliz, pois a mamãe o segurava com muito cuidado para não ir água nos seus olhos e nariz, e lavava cada parte de seu corpo muito bem lavada, pois a higiene era fundamental.
Com três aninhos, o bebê já era uma criança! Ele começava a aprender a ler, e seus pais o ajudavam a entender cada letra e cada palavra com muita paciência a amor.
Aos 5 começava a fazer arte, e deixava seus pais bravos, que fazia o garoto ficar triste, mas pelo menos aprendia a lição para se tornar uma boa pessoa.
A partir daí veio muitas lições... que seriam difíceis de lhe dar, mas que papai e mamãe jamais desistiriam, pois afinal, era o filho querido deles.


Aos 30 anos, já casado, com filhos... aquele bebê, se tornara um homem de sucesso, um homem honesto que sempre queria o bem dos outros. 
Seus pais se orgulhavam muito da pessoa que ele havia se tornado, e ele de seus pais por terem o tornado assim.
Os anos se passavam... e seus pais envelheciam. 
O bebê, que agora era aquele homem, cuidava de seus pais. Pois eles logo começavam a ter dificuldades para ler, e o bom filho os ajudava a entender cada letra e cada palavra com muita paciência e amor. Aos poucos foram ficando mais doentes e dependiam de seu filho para tomarem banho, que lavava cada parte de seus corpos muito bem lavadas, pois a higiene era fundamental. Andar estava ficando difícil, e o bom filho logo segurava nas mãos de seus pais com muito cuidado para ajudarem a andar com segurança. Cada vez mais era difícil de pegar um garfo e levar até a boca para se alimentar... mas o filho os ajudava a se alimentarem dando comida até a boca, e aos poucos foram ficando menos sólidas, eram como papinhas.
Passavam-se os anos, e a vida era cada vez mais difícil para aquele casal apaixonado... mas seu filho sempre estava ali... trocando fraldas fedorentas, ficando acordado até tarde esperando pegarem no sono, levando eles ao hospital quando algo de errado acontecia... simplesmente porque os amava... e era eternamente agradecido por terem feito de tudo por ele.


"Nossos pais cuidaram de nós com toda a paciência e amor do mundo, sem nunca desistir... e quando chegar a nossa vez de cuidarmos deles... que façamos o nosso melhor, com toda paciência e amor do mundo, assim como eles fizeram por nós." - por 'Filho'



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